A Polícia Civil do Paraná encontrou novas estruturas subterrâneas na Fazenda Jundiá, em Icaraíma, onde foram localizados os corpos de quatro amigos executados em agosto. No total, foram identificados cinco bunkers e 17 esconderijos improvisados, todos mapeados com apoio da Força Nacional e da Polícia Militar Ambiental. Os principais suspeitos continuam foragidos, e a fazenda foi autuada em R$ 7,5 milhões por danos ambientais.
A Polícia Civil do Paraná realizou novas escavações na Fazenda Jundiá, em Icaraíma, no noroeste do estado, um mês após a localização dos corpos dos quatro cobradores de dívida executados na região. Durante as buscas, os agentes identificaram 22 estruturas subterrâneas, sendo cinco bunkers de alvenaria e 17 esconderijos improvisados camuflados sob a vegetação nativa.
As estruturas foram mapeadas e georreferenciadas por equipes da Delegacia de Polícia Civil de Icaraíma, com apoio da Força Nacional e da Polícia Militar Ambiental. Segundo o delegado Tiago Andrade, os bunkers se diferenciam dos esconderijos pela estrutura reforçada. “O bunker é uma construção de alvenaria, com base sólida. Já os esconderijos são estruturas mais simples, feitas com lonas, madeira e terra”, explicou.
O levantamento busca identificar o uso dessas construções e sua relação com o assassinato dos quatro amigos — Diego Henrique, de 39 anos, Rafael Juliano Marascalchi, de 43, Robishley Hirnani de Oliveira, de 53, e Alencar Gonçalves de Souza, de 36. Eles haviam viajado de Olímpia (SP) até Icaraíma no dia 4 de agosto para cobrar uma dívida pela venda de uma propriedade rural e desapareceram após um encontro com os suspeitos Antônio Buscariollo, de 66 anos, e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, que continuam foragidos.
As vítimas foram encontradas a cerca de 600 metros do local onde estava o carro usado pelo grupo, também escondido em uma das áreas subterrâneas. O veículo apresentava marcas de tiros, vestígios de sangue e objetos pessoais das vítimas, como um boné de Diego. O resgate do automóvel durou mais de dez horas e revelou o cenário de violência.

A Fazenda Jundiá tornou-se um dos principais focos das investigações, que agora tentam entender a dimensão das estruturas encontradas e possíveis conexões com outros crimes. As equipes permanecem no local, acompanhadas de peritos criminais e técnicos ambientais, para aprofundar as escavações e verificar se outras propriedades vizinhas também apresentam construções semelhantes.
Além das investigações criminais, a fazenda foi autuada em R$ 7,5 milhões pela Polícia Militar Ambiental devido a danos ambientais em 278 hectares, incluindo áreas de reserva legal e preservação permanente. Foram constatados pisoteio de gado, retirada de vegetação e assoreamento de nascentes. A propriedade foi embargada, e proprietários e arrendatários foram notificados.
