O caso de Antônio Oliveira Coimbra, jovem encontrado morto e esquartejado dentro de uma mala na Zona Leste de Manaus na última segunda-feira (08), ganhou contornos ainda mais cruéis.
O caso de Antônio Oliveira Coimbra, jovem encontrado morto e esquartejado dentro de uma mala na Zona Leste de Manaus na última segunda-feira (08), ganhou contornos ainda mais cruéis.

Homem encontrado esquartejado em mala registrou denúncia meses antes (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Segundo informações preliminares da investigação, a vítima teria sido capturada ainda no sábado (7) e mantida em cárcere privado antes de ser assassinada.
De acordo com as apurações, durante o período em que esteve sob domínio dos criminosos, o estudante teria sido coagido a gravar um vídeo que passou a circular nas redes sociais. Nas imagens, ele aparece fazendo uma suposta confissão sobre crimes que, segundo familiares, jamais cometeu.
Corpo foi encontrado em área de mata
Após a gravação do vídeo, os suspeitos teriam assassinado o jovem, esquartejado o corpo e colocado os restos mortais dentro de uma mala de viagem.
O material foi abandonado em uma ribanceira próxima a um balneário na Zona Leste da capital amazonense. Segundo testemunhas, a mala teria se aberto ao atingir o solo, fazendo com que partes do corpo ficassem espalhadas pela vegetação.
Durante a perícia, os investigadores também encontraram sinais de extrema violência com requintes de crueldade. Conforme os levantamentos iniciais, haviauma faca cravada na cabeça da vítima, além de diversas perfurações provocadas por disparos de arma de fogo.
Bilhete foi deixado ao lado do corpo
Outro elemento que passou a integrar a investigação foi um bilhete encontrado próximo ao local onde a mala foi abandonada.
Segundo a Polícia Civil, a mensagem atribuía a execução a um suposto caso de estupro. A autenticidade do conteúdo e sua relação com o crime seguem sendo apuradas pelas autoridades.
Diante das características da execução, uma das linhas investigativas considera a possibilidade de o homicídio ter sido cometido em um chamado “tribunal do crime”, prática criminosa em que facções realizam julgamentos e punições paralelas. No entanto, a motivação ainda não foi oficialmente confirmada.
Família nega acusações contra a vítima
Os familiares de Antônio contestam a versão que circula nas redes sociais e afirmam que ele foi vítima de uma emboscada.
Em entrevista à imprensa, parentes relataram que o estudante teria sido levado para uma “casinha” — expressão usada para descrever locais utilizados por criminosos para manter vítimas em cárcere privado — onde teria sofrido tortura física e psicológica.
Segundo a família, ele também teria sido dopado antes da gravação do vídeo que passou a ser compartilhado na internet.
“Ele não é jack”, afirma irmão
Abalado, o irmão da vítima saiu em defesa de Antônio e afirmou que as acusações divulgadas não condizem com a trajetória do jovem.
“Ele não é ‘jack’. Estava há quatro anos na faculdade, já perto de concluir o curso. Era uma pessoa estudiosa, tinha bolsa de estudos e trabalhava honestamente. Fizeram uma armadilha para ele”, declarou.
Outro familiar também questionou a veracidade das imagens divulgadas.
“Tem que haver provas para uma acusação tão grave. Nossa família está ouvindo muitas coisas, mas isso não significa que sejam verdadeiras. Acreditamos que ele foi coagido”, afirmou.
Investigação segue em andamento
O caso é investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), responsável por apurar as circunstâncias da morte e identificar todos os envolvidos no crime.
A polícia trabalha com a hipótese de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Até o momento, as autoridades não divulgaram conclusões sobre a motivação do assassinato.
