Policiais militares foram afastados das ruas após a morte de Caíque dos Santos Reis, de 16 anos, durante uma ação no bairro de São Marcos, em Salvador (BA).

O caso é investigado pelo DHPP e pela Corregedoria da PM. Moradores realizaram três dias de protestos pedindo Justiça, enquanto a família e testemunhas contestam a versão oficial de troca de tiros.

A PM afirma que apreendeu armas e drogas na operação. Caíque, estudante e barbeiro, seria enterrado no mesmo dia em que começaria um novo emprego.

Policiais são afastados após a morte de adolescente durante ação da PM

A Polícia Militar da Bahia afastou das atividades de rua os agentes envolvidos na operação que resultou na morte de Caíque dos Santos Reis (foto em destaque), de 16 anos, no último domingo (28), no bairro de São Marcos, em Salvador. A medida foi confirmada pela corporação nesta quarta-feira (1º).

Segundo a PM, assim que teve conhecimento do episódio, foi acionado o protocolo previsto para ocorrências com trauma, incluindo casos de lesão grave ou morte.

Os policiais, lotados no Batalhão de Prevenção a Furtos e Roubos de Coletivos (BPFRC), prestaram depoimentos individuais e foram encaminhados ao Departamento de Promoção Social, onde receberam apoio psicológico e participam de atividades de acompanhamento administrativo até a conclusão das investigações.

Como estão as investigações

As apurações seguem em duas frentes: administrativamente, sob responsabilidade da Corregedoria-Geral da PM, e criminalmente, conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil. Em nota, a corporação reafirmou compromisso com a legalidade e a responsabilização de eventuais excessos.

Protestos e comoção

A morte de Caíque gerou forte reação da comunidade. Moradores organizaram três dias consecutivos de protestos pedindo justiça. Na segunda-feira (29), chegaram a incendiar entulhos e, desde então, os ônibus deixaram de circular dentro do bairro por questões de segurança.

O corpo do jovem foi sepultado na segunda-feira, na Baixa de Quintas (BA). Estudante, barbeiro e prestes a iniciar um emprego como atendente de confeitaria, Caíque foi descrito pela mãe, Joselita dos Santos Cruz, como um rapaz sem qualquer envolvimento com a criminalidade.

Em entrevista à TV Bahia, ela afirmou que o filho teria obedecido à ordem policial de levantar as mãos, mas ainda assim foi atingido.

Testemunhas contestaram a versão oficial e relataram que o adolescente foi baleado na perna e levado para um beco, onde teria recebido mais disparos. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram os jovens sendo carregados desacordados por policiais sob gritos de “assassinos” de moradores.

Versão da polícia

A Polícia Militar informou que as equipes patrulhavam a região após denúncia sobre homens armados e que foram recebidas a tiros, reagindo em seguida. A ocorrência da Polícia Civil aponta que Caíque e outro jovem, identificado como Matheus Daniel Chagas da Silva, 21 anos, foram baleados durante a troca de tiros e morreram após serem socorridos para o Hospital Roberto Santos.

Na ação, segundo a PM, foram apreendidos uma pistola calibre 9mm, um revólver e porções de drogas como maconha, cocaína e crack. O material foi encaminhado ao DHPP, responsável pela investigação.

Representantes da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) e do Conselho Nacional dos Direitos Humanos acompanharam a família e anunciaram que tomarão medidas sobre o caso.

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