A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira (SP), chamou atenção para um detalhe pouco conhecido: a chamada Ponte do Esqueleto, onde ocorreu o acidente, nunca chegou a ser utilizada para a finalidade para a qual foi construída.

Foto: Reprodução.
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A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira (SP), chamou atenção para um detalhe pouco conhecido. A chamada Ponte do Esqueleto, onde ocorreu o acidente, nunca chegou a ser utilizada para a finalidade para a qual foi construída.

A Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), tem cerca de 40 metros de altura e nunca foi inaugurada. Foto: Divulgação.

Abandonada há décadas, a estrutura acabou se transformando em ponto para esportes de aventura, mesmo sem infraestrutura ou fiscalização adequada.

Uma ponte que nunca cumpriu sua função

Localizada na zona rural entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo, a Ponte do Esqueleto foi construída para integrar uma antiga linha férrea administrada pela extinta Fepasa.

Apesar da obra ter sido erguida, o projeto ferroviário nunca foi concluído e o viaduto jamais recebeu trens ou veículos. Há cerca de 30 anos, a estrutura foi oficialmente desativada e permaneceu abandonada sobre o Rio Jaguari.

Com aproximadamente 40 metros de altura, o local passou a atrair praticantes de esportes radicais, ciclistas e visitantes em busca de aventura, embora não exista estrutura oficial para esse tipo de atividade.

Tragédia durante salto

Foi justamente na Ponte do Esqueleto que Maria Eduarda morreu na manhã do último sábado (13). Segundo testemunhas, a jovem foi lançada da plataforma sem estar presa à corda de segurança.

Um vídeo gravado no local mostra o momento em que pessoas percebem o erro e começam a gritar desesperadas: “A corda! A corda!”.

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu foram acionadas, mas a morte foi confirmada ainda no local.

As investigações apontam que seis pessoas chegaram a ser detidas. Três delas permanecem presas enquanto a Polícia Civil apura as circunstâncias do acidente.

Prefeitura cobra Governo Federal

Após o acidente, a Prefeitura de Limeira anunciou que pretende processar o Governo Federal, alegando omissão em relação à Ponte do Esqueleto.

Segundo a administração municipal, a estrutura pertence à União, que seria responsável pela fiscalização, manutenção e controle de acesso ao local.

 A prefeitura afirma que já havia enviado ofícios cobrando providências para reforçar a segurança, mas nenhuma medida teria sido adotada. O prefeito Murilo Félix declarou que a tragédia evidencia a falta de controle sobre uma área considerada de risco há vários anos.

Defesa fala em fatalidade

Os homens que aparecem nas imagens utilizando camisetas das empresas responsáveis pela atividade foram presos em flagrante. A defesa afirmou que o rope jump não é regulamentado no Brasil, mas também não é proibido.

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Segundo o advogado, eventos semelhantes já haviam sido realizados na Ponte do Esqueleto sem qualquer intervenção do poder público.  Ele classificou a morte de Maria Eduarda como uma “triste fatalidade” e afirmou que os organizadores realizavam a prática havia anos, sem registros anteriores de acidentes.

O que acontece agora

A Polícia Civil segue investigando o caso para apurar se houve negligência ou outras responsabilidades pelo acidente. Enquanto isso, três investigados continuam presos, e a perícia deve analisar todos os equipamentos utilizados no salto.

A tragédia chamou atenção  sobre a falta de fiscalização na Ponte do Esqueleto, uma estrutura que nunca foi inaugurada, permaneceu abandonada por décadas e acabou se tornando palco de um dos acidentes mais graves envolvendo esportes de aventura no país.

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