O veículo apresentou uma anomalia estrutural cerca de 30 segundos após a decolagem, o que provocou sua queda dentro da zona de segurança, sem feridos, segundo a companhia e a Força Aérea Brasileira (FAB)
A empresa sul-coreana InnoSpace afirmou que pretende retomar seus lançamentos comerciais já no primeiro semestre de 2026, após a falha registrada no voo do foguete HANBIT-Nano. A informação foi divulgada pelo CEO da companhia, Kim Soo-jong, em uma carta encaminhada aos acionistas nesta terça-feira (23), na qual ele também apresentou um pedido formal de desculpas pelo acidente.
Embora o comunicado não especifique o local dos próximos lançamentos, a Agência Espacial Brasileira (AEB) informou que a InnoSpace mantém um acordo vigente com o governo brasileiro para prestação de serviços de retribuição ao Estado. Com isso, existe a possibilidade de que novas tentativas de lançamento ocorram a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) já no próximo ano.
Segundo a AEB, o contrato firmado não prevê retorno financeiro direto ao Brasil. Em troca, o país obtém acesso a conhecimento técnico, capacitação profissional e experiência operacional, considerados estratégicos para o avanço do programa espacial brasileiro e para a ampliação do uso comercial da base maranhense por parceiros internacionais.
O lançamento mais recente do HANBIT-Nano teve duração de pouco mais de um minuto. Durante a transmissão, foi possível acompanhar o início da decolagem, mas o sinal foi interrompido pouco depois, sem que a missão fosse concluída com sucesso.
“Com base nos dados e análises obtidos neste lançamento, a empresa dará início rapidamente às correções técnicas necessárias e a verificações adicionais, passando por um processo adequado de melhorias. Nosso objetivo é retomar os lançamentos comerciais no primeiro semestre do próximo ano”, afirmou Kim.
Ao comentar o episódio, o CEO da InnoSpace, Kim Soo-jong, fez uma analogia com a trajetória de outras empresas do setor aeroespacial, citando a SpaceX como exemplo de que falhas fazem parte do processo de desenvolvimento tecnológico. Ele lembrou que, nos estágios iniciais, companhias do segmento enfrentaram incidentes relevantes até atingirem maior confiabilidade em seus lançamentos.
Entre os casos mencionados, está a explosão da nave Starship, ocorrida em janeiro, quando destroços quase atingiram aeronaves comerciais com cerca de 450 passageiros a bordo, conforme revelou o Wall Street Journal. O episódio reforçou, segundo Kim, os riscos inerentes às fases iniciais de testes e operações espaciais.
De acordo com o executivo, a experiência adquirida a partir de dados reais de voo é essencial para aumentar a maturidade tecnológica. “Assim como aconteceu com grandes empresas globais de lançadores, que evoluíram a partir de tentativas iniciais, acreditamos que esse aprendizado será decisivo para elevar as chances de sucesso nas próximas missões”, afirmou.
Anomalia é detectada segundos após a decolagem
Uma falha técnica, classificada pela empresa como uma “anomalia”, provocou a interrupção do lançamento do foguete sul-coreano HANBIT-Nano, o primeiro veículo comercial a decolar do Brasil. A missão, que havia sido adiada em três ocasiões, foi encerrada poucos segundos após a decolagem, e as causas do problema ainda estão sob investigação, segundo a InnoSpace.
De acordo com o CEO da empresa, Kim Soo-jong, o sistema identificou a anomalia cerca de 30 segundos após o lançamento. Diante disso, foi acionado o procedimento de segurança que determinou a queda controlada do foguete dentro da área terrestre delimitada, conforme previsto nos protocolos operacionais da companhia.
O lançamento ocorreu na noite de segunda-feira (22), às 22h13, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Minutos depois, o veículo sofreu uma explosão, encerrando a missão. O voo não transportava tripulação.
A missão tinha como finalidade colocar em órbita equipamentos destinados à coleta de dados ambientais, testes de comunicação, monitoramento de atividades solares e validação de tecnologias de navegação espacial.
Após o incidente, equipes da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Corpo de Bombeiros do Centro de Lançamento de Alcântara foram mobilizadas para inspecionar a área e avaliar os destroços. Segundo as autoridades, os fragmentos do foguete caíram dentro dos limites da base, sem registro de danos externos.
Lançamento do HANBIT-Nano passou por sucessivos adiamentos
O cronograma do lançamento do foguete HANBIT-Nano passou por sucessivas alterações ao longo de dezembro, em razão de ajustes técnicos realizados dentro da janela operacional do Centro de Lançamento de Alcântara (MA), entre os dias 17 e 22.
Durante as inspeções da Operação Spaceward, nome dado à missão em parceria entre a InnoSpace e a Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pela administração da base, foram detectadas falhas em diferentes sistemas do veículo. As análises levaram à substituição de componentes e à realização de verificações adicionais antes da autorização para a decolagem.
Inicialmente, o lançamento estava programado para 22 de novembro, às 15h, mas foi reagendado para 17 de dezembro após avaliações técnicas apontarem a necessidade de melhorias nos sistemas do foguete. De acordo com a FAB, os ajustes tinham como objetivo otimizar o processamento de sinais e aperfeiçoar os sistemas de aviônica, procedimentos considerados comuns em missões inaugurais.
Na nova data, contudo, uma inspeção final identificou uma anomalia no sistema de resfriamento responsável pelo fornecimento de oxidante do primeiro estágio. Diante do problema, a InnoSpace decidiu adiar novamente o lançamento para permitir a substituição das peças afetadas e garantir condições seguras para a operação.
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