Um posto de combustíveis do Recife, recentemente proibido pela Justiça de exigir legging e cropped como uniforme, é acusado por uma ex-funcionária de impor um “padrão de corpo” às frentistas.
Um posto de combustíveis do Recife, recentemente proibido pela Justiça de exigir legging e cropped como uniforme, é acusado por uma ex-funcionária de impor um “padrão de corpo” às frentistas. Segundo ela, as regras foram alteradas em setembro, quando a empresa passou por uma troca de gestão e demitiu toda a equipe antiga no mesmo dia em que as novas funcionárias chegaram.
As substitutas já seguiam o novo modelo visual. A orientação permitia o uso de calças extremamente justas, customização das blusas – com decotes, amarrações ou cortes – e tênis. O posto fornecia uma legging de tecido fino, semelhante ao modelo conhecido como “levanta bumbum”.
Pressão estética e conteúdo para redes sociais
De acordo com a ex-funcionária, durante o treinamento, as recém-contratadas reforçaram que o posto buscava trabalhadoras com aparência “de academia”. Ela também relatou orientações para que as frentistas usassem o corpo para atrair clientes.
“Houve a recomendação de virar o corpo para a pista para chamar atenção. Também orientaram aprender coreografias para gravar vídeos dançando de uniforme durante o expediente”, disse.
A profissional afirma ter vivido uma situação humilhante e que a empresa não ofereceu qualquer suporte após a demissão.
Decisão judicial e investigação
O caso foi denunciado pelo Sindicato dos Empregados em Postos de Combustíveis de Pernambuco. A 10ª Vara do Trabalho do Recife concedeu liminar proibindo o uso do uniforme considerado inadequado. Caso descumpra a ordem, o posto Power – registrado como FFP Comércio de Combustíveis – poderá pagar multa diária de R$ 500 por funcionária.
Para o Ministério Público do Trabalho, a exigência de vestimentas coladas e curtas viola a dignidade das trabalhadoras e descumpre o dever do empregador de fornecer uniformes adequados.
O que dizem as empresas
Em nota enviada à imprensa, a FFP Comércio de Combustíveis afirmou que a decisão “não reflete a realidade” e que irá contestá-la. A empresa também alegou que as imagens anexadas ao processo não seriam de funcionárias do posto.
A distribuidora Petrobahia declarou que a foto divulgada seria antiga e não representa as práticas atuais da rede. Disse ainda que o posto está sob nova administração desde outubro e que segue normas de segurança e fardamento compatíveis com o trabalho. A denúncia segue em análise pelos órgãos competentes.
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