Segundo o prefeito, além de potencialmente violar normas eleitorais, a homenagem poderia ser interpretada como tentativa de promover a campanha do mandatário, ofendendo opiniões políticas de uma parte da população

Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), criticou publicamente o desfile da Acadêmicos de Niterói que prestou homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante apresentação na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.

Segundo o prefeito, o Carnaval é uma manifestação cultural que deve ser preservada de associações político-eleitorais. Ele avaliou que utilizar o desfile para exaltar uma liderança política em período de eleições pode gerar questionamentos sobre o cumprimento das regras eleitorais.

Nunes também argumentou que é preciso cautela para evitar que eventos populares sejam interpretados como promoção de candidatos, ressaltando a importância de respeitar a legislação vigente em ano eleitoral.

“Foi  uma afronta à legislação eleitoral, com ataque a adversários políticos do homenageado, mas que também atinge grande parcela da população que tem opinião política diferente. Em ano eleitoral, é um evidente abuso eleitoreiro com o aval de um governo sem limites para tentar se perpetuar no poder”, criticou.

Aliados de Lula  negam propaganda antecipada

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem que o desfile da Acadêmicos de Niterói não configurou propaganda eleitoral antecipada, já que não houve pedido direto de votos nem indicação explícita de candidatura. Para esse grupo, a apresentação teve caráter cultural e de homenagem, sem infringir as regras eleitorais.

Já setores contrários ao presidente avaliam que elementos do enredo podem ter conotação política. Eles citam entendimentos do Tribunal Superior Eleitoral segundo os quais referências indiretas também podem ser analisadas pela Justiça. Entre os pontos mencionados está a citação ao número 13 no samba-enredo, associado historicamente ao presidente nas disputas eleitorais.

Palhaço simboliza gestão de Jair Bolsonaro

O desfile da Acadêmicos de Niterói levou para a avenida uma encenação política em um dos carros alegóricos, apresentando representações de ex-presidentes em uma sequência simbólica de trocas de poder. A abertura trouxe um personagem que remetia a Luiz Inácio Lula da Silva entregando a faixa presidencial a uma figura alusiva a Dilma Rousseff.

Na coreografia, a faixa era retirada da personagem que simbolizava Dilma por uma representação de Michel Temer, fazendo referência ao processo de impeachment que levou à mudança de governo. Em seguida, a encenação mostrava a transmissão da faixa para um boneco caracterizado como palhaço, numa alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O encerramento do desfile trouxe outro elemento alegórico com um palhaço usando roupa de presidiário atrás de grades, imagem que reforçou o tom crítico e satírico adotado pela escola ao retratar momentos recentes da política nacional.

Michel Temer critica representação em desfile

O ex-presidente Michel Temer criticou a forma como foi retratado em alegoria de escola de samba no desfile realizado na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Filiado ao MDB, o político manifestou incômodo com a representação caricata de sua trajetória pública feita pela agremiação fluminense.

Em nota, Temer ponderou que o Carnaval é tradicionalmente marcado por liberdade artística e elementos de fantasia, o que, na visão dele, afasta a obrigação de precisão histórica nos enredos. Ele também sugeriu que o espaço do samba comporta tanto críticas sociais quanto homenagens, sem que isso deva ser interpretado como distorção dos fatos.

O ex-presidente já havia sido alvo de sátira no Carnaval de 2018, quando a Acadêmicos do Tuiuti o representou de forma alegórica em desfile que ganhou grande repercussão nacional.

Leia a nota

“A sátira política é parte da tradição do Carnaval. E como defensor da liberdade de expressão e da liberdade artística, não julgo as escolhas feitas como tema na avenida.

Como o samba é o espaço da criatividade e da fantasia, não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí.

O problema é quando adotam o ilusionismo na Esplanada, promovendo a irresponsabilidade fiscal, juros altos e o endividamento público crescente — e negando conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência. É triste ver a troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado.

Olha o Brasil aí… gente!”

Leia mais no BacciNotícias:

Vídeos curtos

Mais lidas