Caso de estupro coletivo contra crianças em SP ganha repercussão após fala de presidente de ONG que critica punição a menores. Um suspeito foi apreendido, enquanto outros seguem foragidos. Investigação continua sob sigilo.

Abuso infantil (Foto: Freepik)
Abuso infantil (Foto: Freepik)

Um dos suspeitos de envolvimento no estupro coletivo contra duas crianças na zona leste de São Paulo foi apreendido na noite desta semana, em Jundiaí, após dar entrada com a mãe em um serviço de acolhimento social. O caso, que chocou o país, ganhou ainda mais repercussão após a fala do presidente de uma ONG, Bruno Matos, que questionou a eficácia da punição aplicada a adolescentes envolvidos em crimes dessa natureza.

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Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Matos criticou o que considera falhas estruturais no sistema de responsabilização juvenil no Brasil. Segundo ele, mesmo diante da gravidade do crime, a expectativa é de que os menores envolvidos permaneçam pouco tempo privados de liberdade e, futuramente, retornem à sociedade sem histórico criminal visível.

Primeiro suspeito apreendido

De acordo com informações, o adolescente foi identificado ao procurar atendimento em um abrigo, já que todos os envolvidos haviam sido reconhecidos pela Justiça e tinham mandados de apreensão expedidos. Outros suspeitos, incluindo um adulto, seguem foragidos.

O crime teria ocorrido no dia 21 de abril, no bairro União de Vila Nova, em São Miguel Paulista. As vítimas são dois meninos, de 7 e 10 anos. A denúncia só foi formalizada dias depois, devido ao medo das famílias.

Críticas ao sistema

Na avaliação de Bruno Matos, o caso expõe um problema mais amplo. Ele afirma que há uma sensação de impunidade e alerta para o risco de reincidência.

“Daqui dois, três anos, ele está na rua novamente, com histórico limpo. Ninguém vai saber o que essa pessoa fez”, disse.

O presidente da ONG também questionou se responsáveis que eventualmente auxiliam suspeitos foragidos podem ser responsabilizados judicialmente.

Apelo contra divulgação de imagens

Outro ponto destacado por Matos foi a circulação de vídeos do crime nas redes sociais. Ele fez um apelo para que o material não seja compartilhado, ressaltando que esse tipo de conteúdo pode alimentar redes criminosas e ampliar o sofrimento das vítimas.

“Se você tem esse vídeo no celular, apague. Não compartilhe”, afirmou.

Falta de estrutura e subnotificação

O representante também chamou atenção para a subnotificação de casos de violência contra crianças. Segundo ele, apenas uma pequena parcela dos abusos chega ao conhecimento das autoridades, seja por medo, vergonha ou falta de informação.

Além disso, Matos criticou a estrutura de atendimento público, especialmente a sobrecarga de profissionais e a falta de equipes especializadas. Ele defende a ampliação de políticas públicas, como delegacias específicas, acompanhamento psicológico contínuo e reforço nos conselhos tutelares.

Investigação segue sob sigilo

A Polícia Civil informou que todos os envolvidos já foram identificados e que as diligências continuam para localizar os demais suspeitos. O caso é conduzido pelo 63º Distrito Policial e tramita sob segredo de Justiça.

As vítimas e seus familiares recebem acompanhamento do Conselho Tutelar e suporte especializado. Autoridades reforçam a importância da denúncia em casos de violência contra crianças e adolescentes.

O Bacci Notícias teve acesso ao conteúdo do caso, mas optou por não divulgá-lo devido ao grau de crueldade contra as vítimas.

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