A decisão atende a um pedido dos próprios auditores, que identificaram lacunas nas informações fornecidas
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a realização de uma inspeção técnica em documentos relacionados ao banco Master que estão sob a guarda do Banco Central. A medida foi autorizada nesta sexta-feira (2) pelo presidente da Corte, ministro Vital do Rêgo Filho.
De acordo com o despacho, a equipe técnica do tribunal ficará responsável por examinar os documentos mencionados no relatório encaminhado pelo Banco Central ao TCU, com o objetivo de aprofundar a análise das informações apresentadas. A inspeção será iniciada ainda nos primeiros dias de janeiro, mesmo com o tribunal oficialmente em período de recesso.
“Os técnicos vão preparar um relatório da inspeção para ser entregue ao ministro Jonathan de Jesus, responsável pelo caso Master dentro do TCU. Eles irão até o BC analisar os documentos, que não podiam ser anexados ao relatório encaminhado pelo banco”, disse Vital do Rêgo ao blog.
A inspeção técnica determinada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o Banco Master foi solicitada pelos próprios auditores da Corte, que buscam acesso direto aos documentos utilizados pelo Banco Central na elaboração do relatório encaminhado ao tribunal.
O material reúne todo o histórico do banco, desde o início do monitoramento de desequilíbrios financeiros, passando pela identificação de irregularidades, tentativas de negociação para venda, até a decisão de liquidação da instituição.
TCU autoriza inspeção técnica sobre o Banco Master
Segundo o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo Filho, a ordem para que a equipe técnica desse continuidade aos trabalhos foi emitida nesta sexta-feira, mesmo durante o período de recesso. Como os documentos originais não foram anexados ao relatório enviado pelo Banco Central, os técnicos consideraram necessária a análise direta do conteúdo para aprofundar a apuração.
Por questões de sigilo bancário, os documentos não podem ser retirados das dependências do Banco Central. Dessa forma, os auditores do TCU irão se deslocar até a sede da autoridade monetária para examinar os arquivos no próprio local, garantindo o cumprimento das normas legais.
Paralelamente, o ministro Jonathan de Jesus acolheu solicitações do Ministério Público junto ao TCU e da liderança da minoria na Câmara dos Deputados, requisitando esclarecimentos formais ao Banco Central sobre os critérios que levaram à liquidação do Banco Master. Em sua manifestação, o ministro classificou a medida como “precipitada”, indicando a necessidade de maior detalhamento.
No relatório apresentado ao TCU, o Banco Central descreve a trajetória do banco, destacando alertas relacionados à captação agressiva de recursos, com a oferta de CDBs que prometiam rendimentos até 140% acima do CDI, patamar considerado fora dos padrões do mercado. Segundo o BC, a liquidação foi adotada após o esgotamento da capacidade financeira do banco para honrar seus compromissos.
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