O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, preso por matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, reclamou de ter sido chamado de “covarde” e coagido na prisão. A Justiça, no entanto, manteve sua detenção, classificando o crime como “frio” e ressaltando a “periculosidade” do acusado. O juiz responsável pelo caso criticou o comportamento de Renê por ter ido treinar em uma academia após o assassinato. O secretário de Justiça de Minas Gerais negou qualquer ligação com o empresário, que havia ameaçado reclamar diretamente a ele.
Renê da Silva Nogueira Júnior, o empresário preso pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, reclamou de uma “situação constrangedora” que teria vivido na cadeia. A reclamação foi feita durante a audiência de custódia que converteu sua prisão em flagrante para preventiva. O juiz Leonardo Vieira Rocha Damasceno, no entanto, manteve a prisão, classificando o crime como “desproporcional e frio”.
O empresário relatou ao juiz que foi obrigado a se agachar três vezes por um agente penitenciário no Ceresp Gameleira e que foi chamado de “covarde” por ele e outros agentes. “’Tu matou o gari por quê? Você fez isso, covarde?’, eu falei: ‘Cara, primeiro vocês têm que entender que tem uma investigação em curso'”, disse Renê. Ele ainda afirmou que iria reclamar do agente com o secretário de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Rogério Greco.
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, por meio de nota, negou a declaração do empresário, afirmando que ela é “mentirosa” e que o secretário “não o conhece, nunca conversou ou teve qualquer contato com o preso”. A pasta destacou que o tratamento dado a Renê é o mesmo que o de qualquer outro detento.
A decisão da Justiça e a dinâmica do crime
A prisão preventiva do empresário foi mantida pelo juiz para a “garantia da ordem pública e por causa da gravidade do crime”. Na ata da audiência, o juiz Damasceno destacou que a ação de Renê foi “desproporcional e fria”, e que o comportamento do empresário levanta alertas sobre sua “periculosidade acentuada e total desrespeito pela vida humana”.
O juiz também questionou a atitude de Renê após o crime: “Comete um crime desse porte, desse nível, e vai treinar na academia?”. Ele ressaltou que a vítima era um gari, “um trabalhador, um gari prestando um serviço público, essencial para toda a sociedade de Belo Horizonte”.
A decisão contrariou o pedido da defesa de Renê, que solicitou o relaxamento da prisão alegando que o cliente era réu primário e tinha bons antecedentes. Contudo, o empresário já foi alvo de inquéritos por violência doméstica e pela morte de uma mulher em um acidente de trânsito.
O juiz considerou que o crime não foi um “impulso momentâneo”, citando a dinâmica dos fatos: o pente da arma de Renê teria caído no chão, e ele o recolheu para voltar a atirar na vítima.
Entenda o caso
O crime ocorreu na segunda-feira (12) após uma discussão de trânsito em Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, o empresário se incomodou com a posição de um caminhão de lixo e ameaçou “atirar na cara” da motorista. O gari Laudemir de Souza Fernandes e outros colegas saíram em defesa da motorista. Foi quando o empresário pegou a arma e atirou em Laudemir, que morreu após ser socorrido.
Renê fugiu do local e foi preso horas depois, em uma academia de alto padrão no bairro Estoril. Laudemir, que trabalhava para uma empresa terceirizada da prefeitura, deixou uma filha e familiares. A empresa lamentou o ocorrido, classificando-o como “violência injustificável”.
