Cerca de 100 presos do Paraná estão trabalhando na reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu após um tornado destruir parte da cidade. Eles atuam na limpeza, recuperação de prédios públicos, separação de doações e produção de equipamentos, como carrinhos de mão. Um CMEI reconstruído com apoio dos detentos e voluntários volta a receber crianças nesta quarta (19). O trabalho faz parte do programa Mãos Amigas, que oferece abatimento de pena e promove reinserção social.

Foto: Ruan Felipe/SESP-PR
Foto: Ruan Felipe/SESP-PR

Cerca de 100 presos do Paraná estão atuando, de dentro e de fora da prisão, na reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu, cidade do Centro-Sul do estado atingida por um tornado no dia 7 de novembro. O grupo se soma a mais de uma centena de voluntários que chegaram de cidades próximas e outras regiões para auxiliar nos reparos e na limpeza.

Segundo o Governo do Estado, 89 detentos foram enviados ao município para executar serviços pesados, como retirada de entulhos, recuperação de estruturas, apoio na triagem de doações e reparos em prédios públicos. Outros custodiados, que permaneceram nas unidades penais, atuaram na produção de carrinhos de mão e na confecção de uniformes utilizados por equipes em campo.

Foto: Talita Diniz/PP-PR

Os carrinhos, fabricados dentro do Complexo Penal de Piraquara, possuem resistência superior à de modelos convencionais, com estrutura reforçada para facilitar o transporte de entulhos e materiais nos pontos mais afetados. Os detentos responsáveis pela produção recebem capacitação em solda e elétrica.

Foto: Ruan Felipe/SESP-PR

O trabalho é supervisionado pela Polícia Penal do Paraná (PP-PR). Os detentos mobilizados vieram de Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Ponta Grossa e Cascavel, e atuam em locais como escolas, CMEIs, a prefeitura, o batalhão da Polícia Militar (PM) e a Apae.

Reabertura de CMEI destruído

Nesta quarta-feira (19), menos de duas semanas após a tragédia, um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) será reaberto para receber crianças. O local, que teve o telhado completamente destruído, foi recuperado com a ajuda de 29 presos, além de equipes da Unioeste, Defesa Civil, CREA-PR e voluntários.

O CMEI Dona Laura reabriu administrativamente na segunda (17), para cadastro das famílias, e volta a receber as crianças nesta quarta (19). As obras incluíram limpeza, retirada de entulhos, troca de telhas, reparo da rede elétrica, recuperação de materiais pedagógicos, conserto da caixa d’água e eliminação de vazamentos. A reconstrução definitiva deve receber investimento de R$ 522 mil.

Segundo o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona, a entrega rápida do espaço é essencial para auxiliar as famílias que ainda tentam reconstruir suas casas.

“Ter um espaço de acolhimento é fundamental, e isso só foi possível graças ao trabalho conjunto de voluntários, entidades e universidades estaduais”, afirmou.

A secretária de Educação do município, Eliane Dal Casteli, reforça que o CMEI funcionará como um ponto de apoio pedagógico e psicológico.
“Queremos estar com as crianças para que suas famílias possam reconstruir seus lares”, disse.

Trabalho prisional e reinserção social

Os trabalhos fazem parte do programa estadual Mãos Amigas, que prevê abatimento de pena: a cada três dias de trabalho, um dia é reduzido do cumprimento total. Em 2025, o programa já alcançou 427 unidades escolares, com mais de dois mil serviços prestados.

Boanerges Silvestre Boeno Filho, chefe da Divisão de Produção e Desenvolvimento da Polícia Penal, destacou que ações como essa fortalecem a reinserção social.

“Eles reconhecem que estão contribuindo para reconstruir uma cidade em um momento tão delicado. Permaneceremos aqui pelo tempo que for necessário, até que a cidade possa retomar sua normalidade”, disse.

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