Com a decisão, a produção da Qdenga seguirá ocorrendo fora do território brasileiro, inviabilizando a ampliação da oferta e a possível inclusão de novas faixas etárias no calendário de vacinação
O Ministério da Saúde decidiu não autorizar a parceria que permitiria a fabricação da vacina contra a dengue da farmacêutica Takeda no Brasil, em cooperação com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A proposta previa uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), com transferência gradual de tecnologia para produção nacional do imunizante.
Em comunicado enviado ao Metrópoles, a pasta explicou que o projeto não cumpria os requisitos do programa, principalmente por não garantir o acesso completo ao conhecimento necessário para a produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), etapa fundamental para a fabricação integral de vacinas em território brasileiro.
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De acordo com o ministério, sem essa transferência tecnológica, a iniciativa não atenderia ao objetivo de ampliar a autonomia do país na produção de imunizantes estratégicos, mantendo a dependência de insumos importados.
Produção seguirá fora do Brasil
A Fiocruz informou que fatores estruturais foram determinantes para a decisão de não avançar com a produção nacional da vacina Qdenga, desenvolvida pela farmacêutica Takeda. Embora o imunizante utilize a mesma plataforma tecnológica empregada em outras vacinas fabricadas por Bio-Manguinhos, as instalações atuais não comportariam a produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) em larga escala.
Segundo a instituição, as limitações físicas e operacionais inviabilizariam a fabricação completa do insumo no Brasil. Diante desse cenário e das prioridades estratégicas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, a Fiocruz afirmou que não pretende reapresentar o projeto de parceria.
Com isso, a produção da vacina contra a dengue seguirá sendo realizada fora do país, sem transferência integral da tecnologia para o sistema público brasileiro.
Redução de custos e prazos
A vacina Qdenga, contra a dengue, é administrada em duas doses e já faz parte do calendário do Sistema Único de Saúde (SUS), com recomendação atual para adolescentes entre 10 e 14 anos. Caso a produção fosse realizada no Brasil, haveria a possibilidade de ampliar a imunização para outras faixas etárias, com redução de custos e maior agilidade na distribuição.
No entanto, com a decisão de não avançar com a fabricação nacional, essa expansão fica comprometida. Em posicionamento enviado à imprensa, a Takeda afirmou que estava tecnicamente pronta para viabilizar a parceria e reforçou que permanece disponível para dialogar com o Ministério da Saúde e o governo federal.
Segundo a empresa, o objetivo é contribuir com soluções que ampliem o acesso à vacina e fortaleçam a estratégia de imunização contra a dengue no país.
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