A Operação Midas desarticulou uma quadrilha que roubava joias em SP usando dados vazados e aparelhos clandestinos para invadir casas. Peças eram revendidas ao vivo no programa “Mil e Uma Noites”. Quatro suspeitos foram presos e um segue foragido. Defesas negam envolvimento. O grupo fez vítimas em vários estados e pode responder por roubo qualificado, receptação e associação criminosa.
Um esquema criminoso interestadual, responsável por furtos e roubos de joias que chegaram a ser revendidas ao vivo pelo programa de TV “Mil e Uma Noites”, foi desarticulado pela Operação Midas, deflagrada nesta terça-feira (18) em várias regiões do estado de São Paulo. A quadrilha estruturada atuava com divisão de tarefas, planejamento antecipado e uso de tecnologia clandestina para facilitar as invasões.
Segundo o delegado Diógenes Santiago Netto, o grupo selecionava vítimas a partir de dados vazados na internet. Informações obtidas em sites e plataformas pagas permitiam identificar perfis com maior potencial financeiro. Uma das vítimas foi uma família de Ribeirão Preto (SP), que teve a casa invadida em maio e posteriormente descobriu que suas joias estavam sendo anunciadas e vendidas no programa televisivo.
Os criminosos também utilizavam dispositivos ilegais capazes de clonar à distância o sinal de controles de portões eletrônicos, facilitando a entrada nas residências sem sinais de arrombamento. Esse equipamento tem venda proibida no Brasil, e a polícia investiga como ele foi adquirido.
A operação prendeu quatro suspeitos:
Thayna Yasmin Silva Porto, técnica de enfermagem, em Ribeirão Preto;
Leonardo e Gustavo de La Rossa, detidos na capital paulista;
João Alves Augusto Correia Junior, preso no Guarujá (SP).

Thayna Yasmin Silva Porto e João Alves Augusto Correia Junior (no alto); os irmãos Leonardo e Gustavo de la Rossa (embaixo, da esquerda para a direita), presos por suspeita de roubo de joias em Ribeirão Preto, SP — Foto: Divulgação
Todos devem permanecer presos por pelo menos 30 dias. Um quinto suspeito, também de Ribeirão Preto, permanece foragido.
As defesas negam participação e afirmam que não há provas consistentes até o momento. Segundo o advogado de João Correia Junior, a única evidência é que ele estava na cidade no dia do roubo. A defesa de Thayna afirma que ela foi denunciada por alguém que queria se relacionar com ela. Os defensores dos irmãos La Rossa não se manifestaram.
O esquema, revelado inicialmente por reportagem do Fantástico em setembro, fez vítimas em diversos estados. Um casal de idosos de Ribeirão Preto teve mais de 300 joias levadas, incluindo um colar de ouro e diamantes reconhecido enquanto era vendido ao vivo no programa televisivo.
Os investigados podem responder por roubo qualificado, receptação qualificada e associação criminosa.
