Após mais de 30 anos presa, Dominique Cristina Scharf, considerada a maior estelionatária do Brasil, deixou a penitenciária de Tremembé (SP). Aos 65 anos, planeja abrir uma confecção de tricô. Nascida na elite paulista, acumulou dezenas de crimes entre os anos 1980 e 1990, como fraudes financeiras, golpes com joias falsas, clonagem de veículos e até tráfico de armas. Teve a pena prolongada por tentativas de fuga, mas diz querer recomeçar.
Depois de cumprir mais de 30 anos de prisão, Dominique Cristina Scharf, considerada a maior estelionatária do Brasil, deixou a penitenciária de Tremembé (SP) em junho deste ano. Aos 65 anos, ela teve a pena prolongada devido a duas tentativas de fuga frustradas. Agora em liberdade, afirma que pretende reconstruir a vida fora dos muros da prisão e já planeja abrir uma confecção de roupas de tricô, habilidade que aprendeu durante o período de encarceramento.
Dominique conviveu com nomes como Suzane Richthofen e Elize Matsunaga, mas afirma que nunca se identificou com crimes como assassinato. Sua trajetória criminosa começou cedo: filha de pai norte-americano e mãe alemã, cresceu em uma família de elite em São Paulo, estudou em colégios particulares, mas iniciou a prática de pequenos furtos na juventude. O envolvimento com crimes se intensificou após a morte do pai e o afastamento da mãe.
Nos anos 1980 e 1990, ela acumulou dezenas de inquéritos por estelionato, falsificação de documentos, furtos e até assaltos à mão armada. Ganhou notoriedade por aplicar golpes sofisticados: criava identidades falsas, enganava empresários e bancos, vendia joias falsas, adulterava cheques e chegou a chantagear homens casados. Também foi envolvida em clonagem de veículos, tráfico de armas e quadrilhas que adulteravam carros para revenda no Paraguai.
Durante esse período, ostentava um estilo de vida luxuoso, hospedando-se em hotéis caros e frequentando restaurantes de alto padrão — em alguns casos, até colocando insetos em pratos para não pagar a conta.
No auge, Dominique chegou a responder a 20 processos simultâneos. Em 2016, suas condenações foram unificadas, totalizando quase 58 anos de prisão. Entre as tentativas de fuga mais marcantes estão o corte de um alambrado no Carandiru com um alicate e a escalada de uma muralha de seis metros em Ribeirão Preto.
Apesar da longa trajetória no crime, agora em liberdade, Dominique afirma estar disposta a deixar o passado para trás e se dedicar à vida empreendedora com o tricô.
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