A disputa também envolve Artur Miceli, filho biológico de Suzuki, que foi reconhecido pela Justiça como filho socioafetivo de Anita e, consequentemente, herdeiro de parte da fortuna. A produção reúne depoimentos, documentos e relatos de advogados e familiares para apresentar diferentes versões sobre a história e as decisões judiciais relacionadas à curatela e ao patrimônio da empresária.
A história envolvendo a empresária Anita Hartley, apontada como herdeira da rede Pernambucanas, ganhou grande repercussão e inspirou uma série que aborda disputas pessoais e familiares em torno de sua fortuna.
Dona de um patrimônio estimado em mais de R$ 1 bilhão, Anita sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2016 e, desde então, permanece em estado de coma em um hospital, com vigilância constante de seguranças.
O caso se torna ainda mais delicado por causa de duas mulheres que afirmam ter mantido relacionamento afetivo com a empresária. Uma delas é Cristine Rodrigues, que trabalhava como secretária e teria sido indicada pela própria Anita para tomar decisões relacionadas à sua saúde caso ela ficasse incapaz. A outra é Sônia Soares, conhecida como Suzuki, que vivia na residência da empresária e conseguiu o reconhecimento judicial de união estável em 2023.
Outras figuras também desempenham papel central na disputa. Arthur, filho de Suzuki, rompeu relações com a mãe e acabou assumindo a função de curador legal de Anita, ficando responsável por decisões envolvendo tanto o tratamento médico da empresária quanto a administração de seus negócios ligados à Pernambucanas. Já Daniel Silvestri, advogado que representa Suzuki, ganhou destaque após assumir a presidência da empresa, aumentando ainda mais as tensões em torno do caso.
Caso repercute e chega ao Vaticano
A produção também revela momentos curiosos envolvendo Sônia Soares, conhecida como Suzuki, que, segundo o documentário, teria passado a adotar características físicas semelhantes às de Anita Hartley.
Em entrevistas exibidas na série, Suzuki aparece com visual diferente do habitual, cabelos escuros presos em um coque, olhos castanhos e roupas formais, como blusa de renda branca combinada com calça preta.

Suzuki, Cristine Rodrigues e Anita Harley, cenas do documentário (Foto: Globoplay)
Em outro trecho apresentado na obra, um vídeo mostra Suzuki conversando com funcionários da rede Pernambucanas usando lentes de contato azuis e uma peruca loira curta, além de um kaftan, peça longa e estampada semelhante às roupas que Anita costumava utilizar. As imagens reforçam a narrativa do documentário sobre as disputas e controvérsias envolvendo a empresária e seu círculo próximo.
O caso ganhou tamanha repercussão que chegou a alcançar autoridades religiosas. Em 2022, Cristine Rodrigues enviou uma carta ao Vaticano relatando a situação e pedindo atenção para o episódio. Posteriormente, ela recebeu uma resposta oficial assinada pelo monsenhor Luigi Roberto Cona, integrante da Secretaria de Estado da Santa Sé.
Intitulada “O Testamento: O Segredo de Anita Hartley”, a série documental é composta por quatro episódios. O primeiro capítulo pode ser assistido gratuitamente por quem não é assinante da plataforma Globoplay, além de também estar disponível no canal oficial do serviço no YouTube.
Saiba quem é Anita Harley
A empresária Anita Hartley, descendente de imigrantes suecos que chegaram ao Brasil no início do século XX, construiu sua trajetória ligada a uma das redes mais tradicionais do varejo nacional, as Casas Pernambucanas. Ao longo de décadas, ela participou da gestão dos negócios da família de forma reservada, mantendo uma vida longe dos holofotes, mesmo sendo considerada uma das mulheres mais ricas do país.
A situação mudou drasticamente em novembro de 2016, quando Anita sofreu um AVC hemorrágico. Desde então, a empresária permanece em coma, apesar dos tratamentos realizados por equipes médicas do Brasil e do exterior. Quase uma década após o episódio, não há previsão de recuperação ou alta hospitalar.
Sem condições de expressar sua vontade, Anita acabou se tornando o centro de uma complexa disputa judicial envolvendo pessoas próximas e integrantes da família. O processo ganhou ainda mais repercussão após a Justiça determinar a nomeação de um responsável para administrar seus bens.
Nesse contexto, Sônia Soares, conhecida como Suzuki, afirmou publicamente ter mantido um relacionamento com a empresária por mais de três décadas. Segundo ela, as duas teriam vivido juntas por 36 anos em uma mansão de 96 cômodos localizada no bairro da Aclimação, em São Paulo, imóvel avaliado em cerca de R$ 50 milhões. Suzuki sustenta que a propriedade foi transferida para ela por Anita antes do AVC.
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