Um relatório da organização Survival International alerta que influenciadores digitais estão entre os principais riscos à sobrevivência de povos indígenas isolados. Em busca de conteúdo exclusivo, criadores de conteúdo têm invadido territórios proibidos, expondo comunidades vulneráveis a doenças letais.
Em busca de fama e visualizações nas redes sociais, influenciadores de viagem estão se tornando uma das maiores ameaças à sobrevivência de povos indígenas isolados, aponta um relatório da organização Survival International, divulgado pelo jornal The Times, do Reino Unido.
De acordo com o estudo, criadores de conteúdo que invadem territórios proibidos para registrar imagens “exclusivas” colocam em risco comunidades inteiras ao expô-las a doenças desconhecidas, capazes de exterminar populações em poucos anos.
“Os resultados do contato são catastróficos: mortes devastadoras e previsíveis de crianças, pais, irmãos e amigos em escala genocida”, alerta o relatório.
O documento, intitulado “Povos Indígenas Isolados: No Limite da Sobrevivência”, estima que existam 196 grupos isolados no mundo, sendo 95% localizados na Amazônia. O restante se distribui pela Ásia e pelo Pacífico. Desses, cerca de 90 estão sob ameaça direta de missionários, turistas e, mais recentemente, influenciadores digitais.

O influenciador Mykhailo Viktorovych Polyakov, preso em abril desse ano, e o missionário John Allen Chau, asassinado em 2018. Foto: Reprodução
O texto cita casos recentes, como o do americano Mykhailo Viktorovych Polyakov, preso na Índia após tentar visitar a Ilha Sentinela do Norte, lar da tribo mais isolada do planeta, e deixar como “oferta” uma lata de Coca-Cola Diet e um coco. Outro influenciador, o britânico Miles Routledge, chegou a afirmar que planejava entrar ilegalmente na ilha trocando de identidade.
A entidade alerta que qualquer contato não autorizado pode ser fatal, já que essas comunidades não possuem imunidade contra vírus e bactérias comuns para o resto da população. A própria Ilha Sentinela, famosa pela hostilidade dos sentineleses a invasores, é palco de incidentes trágicos, como o assassinato do missionário americano John Allen Chau, em 2018.
“Esses esforços estão longe de ser inofensivos”. Todo contato mata. O contato expõe povos isolados a doenças e é quase invariavelmente acompanhado pelo roubo e destruição de terras das quais esses povos dependem para obter alimento, água, abrigo e medicamentos”, diz a Survival International.
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