Um relatório divulgado por senadores democratas nos Estados Unidos revelou que a administração de Donald Trump países como , Ruanda, El Salvador, Eswatini e Palau para acolher imigrantes sem vínculos com esses países, muitas vezes antes mesmo da chegada dos deportados
Um relatório divulgado no Senado dos Estados Unidos aponta que o governo de Donald Trump teria desembolsado mais de US$ 30 milhões em operações para enviar imigrantes a países que não são suas nações de origem. Em algumas situações, segundo o documento, o custo por pessoa teria ultrapassado a marca de US$ 1 milhão.
O levantamento foi conduzido pela senadora Jeanne Shaheen, ligada ao Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, e descreve acordos considerados caros e voltados a grupos reduzidos de estrangeiros. O texto também afirma que, em certos casos, houve gastos duplicados, primeiro para enviar o imigrante a um terceiro país e depois para viabilizar o retorno ao país de origem.
De acordo com a análise, esses acordos fazem parte da política de deportações adotada pelo governo Trump, que justificava a prática alegando dificuldades diplomáticas para que alguns países aceitassem seus próprios cidadãos de volta. Assim, nações terceiras teriam concordado em receber esses imigrantes mediante compensações financeiras, concessões políticas ou uma combinação dos dois.
Relatório no EUA questiona política migratória
Segundo o documento, diversas tentativas de deportação esbarraram em disputas judiciais e na resistência de nações de origem em receber seus cidadãos. O relatório aponta que Washington firmou acordos ou realizou transferências de imigrantes para mais de 20 países e ainda negocia parcerias com dezenas de outras nações.
O texto também foi endossado pelos senadores Chris Coons, Tim Kaine, Tammy Duckworth, Jacky Rosen e Chris Van Hollen. De acordo com a análise, o valor total gasto nessas operações até janeiro de 2026 não é totalmente conhecido, mas pode superar US$ 40 milhões.
Parte significativa dos recursos teria sido destinada a acordos com Guiné Equatorial, Ruanda, El Salvador, Eswatini e Palau. Juntos, esses países teriam recebido mais de US$ 32 milhões, em grande parte por meio de pagamentos antecipados, mesmo antes da chegada dos deportados.
Apesar dos valores elevados, o número de imigrantes enviados a esses destinos foi relativamente baixo, cerca de 300 pessoas no total. O relatório ainda ressalta que o uso frequente de aeronaves militares, inclusive para transportar poucos passageiros, contribuiu para elevar os custos das deportações.
Relatório aponta gastos milionários
Um novo relatório do Senado dos Estados Unidos aponta que o governo de Donald Trump desembolsou ao menos US$ 7,2 milhões em voos de deportação para países terceiros até janeiro de 2026, com possibilidade de o custo real ser ainda maior.
O documento foi elaborado a partir da análise de acordos oficiais, viagens técnicas a nações envolvidas e reuniões com autoridades, organizações de direitos humanos, deportados e advogados.
Segundo assessores do comitê responsável pela apuração, houve dificuldade para obter dados completos junto ao governo. Embora algumas informações tenham sido repassadas, os detalhes gerais sobre os acordos de deportação não teriam sido totalmente compartilhados com os parlamentares.
Em resposta, o Departamento de Estado dos Estados Unidos defendeu a política migratória. O porta-voz adjunto Tommy Pigott afirmou que o relatório evidencia ações consideradas inéditas para reforçar a aplicação das leis de imigração.
Ele também declarou que a gestão Trump teria revertido o que chamou de fase de imigração irregular em massa durante o governo de Joe Biden, argumentando que as medidas aumentaram a segurança no país.
Retorno de migrantes após envio a países terceiros
Um relatório indica que, até janeiro de 2026, mais de 80% dos migrantes enviados a países terceiros com financiamento americano já haviam retornado ou estavam em processo de voltar aos seus países de origem. O documento analisa a efetividade e os custos dessa política adotada durante o governo de Donald Trump.
Entre os destinos, El Salvador concentrou a maior parte das transferências. Aproximadamente 250 pessoas foram enviadas ao país, que recebeu cerca de US$ 4,76 milhões para custear a detenção dos deportados. O governo americano alegou que parte deles tinha ligação com o grupo criminoso Tren de Aragua, afirmação contestada por familiares e também na Justiça.
Reportagem da CNN já havia revelado que os recursos destinados a El Salvador seriam usados por forças de segurança e pelo sistema prisional local para cobrir despesas de custódia de deportados apontados como integrantes da facção.
Decisões judiciais recentes também colocaram a política sob escrutínio. Um juiz federal determinou que o governo ofereça a venezuelanos deportados com base na Lei de Inimigos Estrangeiros a oportunidade de contestar a remoção, inclusive com a possibilidade de retorno aos EUA para responder a processos.
Enquanto isso, o número de deportados enviados a outros destinos foi bem menor: segundo o relatório, apenas 51 pessoas foram transferidas para quatro outros países no mesmo período, reforçando o contraste entre os valores pagos e o volume de migrantes efetivamente recebidos.
Acordo com Ruanda tem baixo número de recebidos
O documento cita que Ruanda teria recebido cerca de US$ 7,5 milhões para acolher migrantes, mas apenas sete pessoas foram enviadas ao país, o que elevaria o gasto médio para mais de US$ 1 milhão por deportado.
A análise também menciona Palau, que teria recebido pagamento semelhante sem, no entanto, receber efetivamente nacionais de países terceiros. Segundo o relatório, houve resistência interna no país à ideia de aceitar deportados, o que dificultou a execução do acordo.
Outro destino citado é Eswatini, incluído entre países considerados remotos nas negociações. De acordo com o documento, um funcionário americano relatou ao comitê que a estratégia de mencionar esses locais serviria como forma de pressão psicológica sobre migrantes em situação irregular. A avaliação registrada é que a possibilidade de envio para lugares distantes seria usada como elemento de dissuasão.
O relatório reforça o debate sobre custo, transparência e efetividade da política de deportações internacionais, tema que segue sob análise de parlamentares e organizações de direitos humanos.
Envio a países terceiros eleva custos
Segundo o documento, autoridades americanas teriam, em certas situações, financiado o envio de migrantes a um país intermediário e depois arcado novamente com despesas para levá-los ao destino final.
Um dos exemplos citados envolve um cidadão do México que foi retirado do território americano e encaminhado ao Sudão do Sul, antes de acabar devolvido ao seu país de origem. Outro caso mencionado descreve um nacional da Jamaica que, apesar de ter decisão judicial para retorno direto, foi enviado a Eswatini, operação que teria custado mais de US$ 181 mil, para depois ser repatriado semanas mais tarde.
O relatório sustenta que esse modelo consome recursos públicos consideráveis e ainda pode desgastar relações diplomáticas, reduzindo margem para cooperação em temas estratégicos de segurança nacional. Parlamentares e entidades de direitos humanos também manifestam preocupação com os destinos escolhidos, destacando o histórico de violações em alguns desses países.
O texto aponta ainda que o governo americano teria se baseado, em parte, em garantias genéricas de que os deportados receberiam tratamento compatível com normas internacionais de direitos humanos, o que segue sendo alvo de questionamentos.
Denúncias da Human Rights Watch e da Cristosal
O relatório aponta falhas no controle sobre o tratamento de migrantes deportados para países terceiros durante a gestão de Donald Trump. Segundo o documento, integrantes do próprio governo teriam admitido que algumas nações não cumprem as garantias humanitárias prometidas e que não haveria ações efetivas para corrigir essas violações.
A análise afirma ainda que não foram apresentadas provas de monitoramento contínuo, fiscalização ou mecanismos de cobrança, o que levanta dúvidas sobre a validade prática dos compromissos firmados. De acordo com o texto, servidores americanos lotados em países receptores relataram ter recebido orientação para não acompanhar de perto a situação dos deportados.
Organizações internacionais também reforçaram as preocupações. Um levantamento divulgado pela Human Rights Watch e pelo grupo Cristosal apontou que dezenas de venezuelanos enviados a prisões em El Salvador teriam sofrido maus-tratos, incluindo denúncias de tortura e violência sexual.
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