Ronnie Lessa, ex-policial militar e delator do assassinato da vereadora Marielle Franco, foi transferido no sábado (22) da Penitenciária 1 de Tremembé (SP) para uma unidade em Brasília, após quatro pedidos da defesa. A mudança foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Ronnie Lessa alegou estar sendo envenenado no presídio de Tremembé e pediu transferência, autorizada por Alexandre de Moraes. Foto: Divulgação.
Ronnie Lessa alegou estar sendo envenenado no presídio de Tremembé e pediu transferência, autorizada por Alexandre de Moraes. Foto: Divulgação.

Ronnie Lessa, ex-policial militar e delator do assassinato da vereadora Marielle Franco, foi transferido no sábado (22) da Penitenciária 1 de Tremembé (SP) para uma unidade em Brasília, após quatro pedidos da defesa. A mudança foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.

A defesa relatou que, desde que chegou à P1  destinada a presos comuns e membros de facções, Lessa acreditava estar sendo envenenado pela comida do presídio. Ele estava sozinho em uma cela e passou a se sentir mal sempre que comia as refeições servidas na unidade. A suspeita o levou a evitar a alimentação oferecida e a viver basicamente de pães, biscoitos e itens enviados pela família, o que teria provocado a perda de cerca de 10 quilos.

O advogado afirmou ainda que o acordo de delação previa que Lessa fosse mantido na Penitenciária 2 de Tremembé, conhecida como “presídio dos famosos”, por oferecer mais segurança para ex-policiais. Porém, ele foi enviado à P1. Por isso, dizia temer represálias dentro da unidade.

A situação teria se agravado após uma visita da PGR e da Polícia Federal ao presídio, em fevereiro, determinada por Moraes. A inspeção, segundo a defesa, gerou tensão interna e coincidiu com o início dos episódios de mal-estar de Lessa.

Em maio, uma petição registrou que ele se recusava a comer a comida da penitenciária por considerá-la “imprópria para consumo”. A administração chegou a abrir um Procedimento Administrativo Disciplinar sob a acusação de greve de fome, o que a defesa negou.

Foram feitos quatro pedidos de transferência, primeiro sugerindo a Papuda e, depois, a Penitenciária IV do Distrito Federal. Em setembro, a PF enviou ao STF uma notícia-crime protocolada pela defesa relatando supostos crimes contra Lessa dentro do presídio, os detalhes estão sob sigilo. Após avaliar o documento, Moraes autorizou a transferência para a Penitenciária IV, recém-inaugurada e considerada mais segura para proteger o delator.

A Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo e o advogado de Lessa foram procurados, mas não comentaram as acusações até o fechamento desta reportagem.

Condenação e delação

Ronnie Lessa foi condenado, em outubro de 2024, a 78 anos e nove meses de prisão pelos homicídios de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Detido desde 2019, passou por várias unidades federais de segurança máxima até firmar acordo de colaboração com a PF em 2023.

Na delação, homologada pelo STF em março de 2024, ele confessou a execução, detalhou a preparação do crime e apontou como supostos mandantes Domingos Brazão, Chiquinho Brazão e Rivaldo Barbosa. A tese apresentada associa o assassinato a disputas envolvendo grilagem de terras em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. O julgamento dos suspeitos ainda não foi marcado.

 

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