Quase duas décadas após o sequestro de Eloá Pimentel, a amiga e sobrevivente Nayara Rodrigues, hoje com 32 anos, leva uma vida discreta e se formou em engenharia. Ela passou por cirurgias complexas após ser baleada e, em 2018, obteve na Justiça uma indenização de R$ 150 mil do governo por falhas na operação policial que culminou na morte de Eloá. O trauma ainda persiste, e a sobrevivente admitiu sentir medo da soltura do agressor, Lindemberg Alves.

Eloá Pimentel e Nayara Rodrigues
Eloá Pimentel e Nayara Rodrigues

17 anos se passaram desde que o crime que mobilizou a atenção do Brasil: o sequestro de Eloá Pimentel, ocorrido em outubro de 2008, em Santo André, na Grande São Paulo. Nayara Rodrigues da Silva, hoje com 32 anos, ficou marcada como a sobrevivente do cárcere. Ao contrário da amiga, que foi baleada pelo ex-namorado, Lindemberg Alves.

O medo

Na época, ela chegou a conceder entrevistas em alguns veículos de comunicação, como o Fantástico, da TV Globo. Na ocasião, ela manifestou seus sentimentos em relação ao agressor:

Eu não tenho raiva. Eu só não perdoo ele pelo que ele fez com a Eloá, não por ele ter atirado em mim, mas por ele ter tirado a vida de uma pessoa maravilhosa. Eu tenho muito medo. Ele pode ficar 30 anos na cadeia; o dia que eu souber que ele vai sair, pode ter certeza que eu vou estar morrendo de medo”, declarou Nayara.

Indenização devido as falhas na operação policial

O caso de Nayara também envolveu a esfera judicial contra o Estado. Em 2018, a Justiça de São Paulo determinou que o governo estadual a indenizasse em R$ 150 mil.

A decisão reconheceu falhas na condução da operação policial que culminou na tragédia. Lembrando que Nayara chegou a ser liberada pelo sequestrador, Lindemberg, mas acabou retornando ao cativeiro em uma das tentativas de negociação conduzidas pelas autoridades, fato que foi amplamente criticado e considerado uma falha por especialistas em segurança pública.

Risco de vida

Quando retornar ao cativeiro, Nayara foi baleada no rosto e, imediatamente após o resgate, passou por uma cirurgia complexa no Centro Hospitalar de Santo André para a remoção do projétil e reconstrução da área atingida. Na ocasião, o procedimento incluiu a reimplantação de um dente perdido e a colocação de aparelhos ortodônticos para dar suporte à arcada afetada.

Distanciamento da família da amiga

Após todo o ocorrido, Nayara não manteve contato com a família de Eloá. A mãe da vítima, Ana Cristina Pimentel, lamentou a ausência da sobrevivente em uma entrevista concedida ao Repórter Record Investigação há seis anos.

A Nayara nunca veio na minha casa e nunca me ligou. Nunca mais a vi. Só nos encontramos nos dias dos depoimentos e julgamento, mas foi muito rápido”, contou a mãe de Eloá.

Longe dos holofotes

Desde o trágico episódio que resultou em sua hospitalização e na morte da amiga, Nayara evita a exposição. De acordo com informações divulgadas pela revista Máxima, ela buscou uma nova trajetória e se formou em engenharia. Atualmente, mantém uma rotina discreta, afastada dos holofotes e redes sociais.

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