Uma investigação revelou detalhes sobre o patrimônio ostentado por integrantes do PCC, incluindo um touro de alto valor usado como símbolo de poder e status dentro do esquema criminoso. O animal, avaliado em uma fortuna, chamou a atenção das autoridades durante a operação que desmantelou o chamado “império” ligado à facção em São Paulo.

Queda do Império (Reprodução/Redes Sociais)
Queda do Império (Reprodução/Redes Sociais)

O touro Império, apontado como um dos principais animais do circuito de rodeios no país, foi apreendido durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Veja mais em polícia

Touro Império pertencia à empresa de Eduardo Magrini, conhecido como ‘Diabo Loiro’  (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Avaliado em cerca de R$ 1 milhão, o animal chamou a atenção das autoridades pelo alto valor e pela relevância no universo das competições.

Segundo as investigações, empresas dos setores de transporte e rodeio estariam sendo usadas para ocultar e movimentar recursos oriundos do tráfico de drogas, com participação de pessoas utilizadas como “laranjas” no esquema. Além da apreensão do touro, a operação também mira o patrimônio acumulado pelos suspeitos.

Reconhecido nacionalmente, Império ocupa posição de destaque entre os melhores touros do Brasil. O animal alcançou o terceiro lugar no ranking da Confederação Nacional de Rodeio (CNAR) em julho de 2025 e soma diversos títulos conquistados em competições pelo país.

“Esse boi Império está vinculado à propriedade rural do investigado e é um dos mais bem ranqueados do Brasil pelos prêmios recebidos. Existe esse ranking e, em decorrência dessas conquistas, ele chega a valer mais de R$ 1 milhão”, afirmou o delegado da 1ª DIG, Luiz Fernando Dias de Oliveira.

Mais de 300 animais são recolhidos

Durante a operação, os agentes recolheram 13 veículos, entre eles caminhões e dois automóveis de alto padrão, além de aproximadamente R$ 15 mil em espécie. Também foram encontrados celulares, documentos, anotações e cadernos que, segundo a investigação, podem ajudar a rastrear movimentações financeiras e a atuação de pessoas usadas como “laranjas” no esquema criminoso.

A ação ainda resultou na apreensão de mais de 300 animais, incluindo gado de corte, cavalos e touros voltados para competições de rodeio. Conforme explicou o delegado responsável pelo caso, os animais permanecerão sob cuidados de um fiel depositário até que a Justiça autorize a venda. O valor arrecadado deverá ser revertido aos cofres públicos.

Leia também:

“Diabo Loiro” é investigado

As apurações da polícia apontam que empresas ligadas aos setores de transporte e rodeio teriam sido utilizadas para esconder e circular recursos provenientes de atividades criminosas, com participação de sócios apontados como “laranjas”.

Entre os investigados está Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”, que, segundo os agentes, mantinha ligação direta com os negócios investigados e costumava exibir nas redes sociais uma rotina marcada por bens de alto valor e ostentação.

O filho dele, Mateus Magrini, também passou a ser alvo da operação. Conforme a investigação, ele teria usado uma empresa do ramo musical para movimentar valores suspeitos. Mateus já havia sido citado anteriormente na Operação Narco Fluxo, conduzida pela Polícia Federal, ao lado do MC Ryan, identificado como ex-enteado de “Diabo Loiro”.

Para os investigadores, a participação de familiares nas empresas e nas movimentações financeiras reforça a suspeita de que o esquema de lavagem de dinheiro envolvia diferentes integrantes do núcleo familiar de Eduardo Magrini.

Quem é “Diabo Loiro”?

Apontado como o principal investigado da operação, Eduardo Magrini, conhecido pelo apelido de “Diabo Loiro”, já havia sido detido no ano passado em uma ação conduzida pelo Gaeco de Campinas. Na ocasião, ele passou a ser investigado por suposta participação em um plano atribuído ao PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.

Eduardo também ganhou notoriedade por ser ex-padrasto do funkeiro MC Ryan SP, que acabou preso durante a Operação Narco Fluxo. Antes das investigações, Magrini mantinha forte presença nas redes sociais, onde se apresentava como produtor rural e influenciador digital.

Eduardo Magrini, conhecido como ‘Diabo Loiro’  (Reprodução/Redes Sociais)

Com mais de 100 mil seguidores, ele compartilhava frequentemente registros de viagens, eventos de rodeio e momentos ao lado de veículos de alto padrão, exibindo uma rotina marcada por luxo e ostentação.

Leia mais no Bacci Notícias

Vídeos curtos

Mais lidas