O governo do Rio de Janeiro anunciou a transferência de 10 integrantes do Comando Vermelho (CV) para presídios federais, após a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão.
O governo do Rio de Janeiro anunciou a transferência de 10 integrantes do Comando Vermelho (CV) para presídios federais, após a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou cerca de 130 mortos, de acordo com dados da Defensoria Pública do RJ, que incluem suspeitos e corpos recolhidos por moradores. A medida foi acertada em conversa entre o governador Cláudio Castro (PL) e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, na noite de terça-feira (28). Segundo o governo do Estado, entretanto, 58 pessoas foram mortas na megaoperação.
Entre os detentos transferidos, sete fazem parte da chamada “Comissão do Comando Vermelho”, a cúpula da facção.
A lista completa dos presos inclui:
- Wagner Teixeira Carlos (Waguinho de Cabo Frio) – Comissão, liderança na Região dos Lagos e braço direito de Kadu Playboy
- Rian Maurício Tavares Mota (Da Marinha) – Comissão, operador de drones, atuação no Complexo da Penha
- Roberto de Souza Brito (Irmão Metralha) – Comissão, atuação no Complexo do Alemão
- Arnaldo da Silva Dias (Naldinho) – Comissão, administrador da “Caixinha” do CV, atuação em Resende
- Alexander de Jesus Carlos (Choque ou Coroa) – Comissão, atuação no Complexo do Alemão
- Marco Antônio Pereira Firmino (My Thor) – Comissão, atuação em Santo Amaro e Centro do Rio
- Fabrício de Melo de Jesus (Bicinho) – Comissão, atuação em Volta Redonda
- Leonardo Farinazzo Pampuri (Léo Barrão) – atuação na Vila Kennedy, não integra a Comissão
- Carlos Vinícius Lírio da Silva (Cabeça de Sabão) – liderança em Niterói, não integra a Comissão
- Eliezer Miranda Joaquim (Criam) – liderança na Baixada Fluminense, não integra a Comissão
Operação e confronto
A ofensiva policial envolveu cerca de 2,5 mil agentes da Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público (MPRJ). O objetivo era desarticular a estrutura do Comando Vermelho, principal facção do tráfico no estado. Durante os confrontos, criminosos ergueram barricadas, lançaram explosivos por drones e abriram fogo contra as equipes policiais. Entre os mortos estavam dois policiais civis e dois militares.
O episódio já se tornou o mais letal da história recente do país, superando o Massacre do Carandiru (SP), que deixou 111 mortos em 1992. Moradores afirmam que ainda há corpos no alto da Serra da Misericórdia, onde ocorreram os principais confrontos.
Próximos passos
As transferências para presídios federais visam reduzir a influência dos líderes do CV nas comunidades e evitar novas represálias. A Polícia Civil e o Ministério Público continuam com perícia e atendimento às famílias para reconhecimento das vítimas, no prédio do Detran ao lado do IML.
