A Scuderia Bandeiras anunciou sua saída da Stock Car e, em entrevista exclusiva ao Bacci Notícias, apresentou uma série de alegações envolvendo cláusulas contratuais, cobrança de custos, fornecimento de peças, segurança dos pilotos e supostas inconsistências fiscais. Procurada pela reportagem, a Stock Car ainda não comentou os pontos levantados pela equipe.
De acordo com representantes da Scuderia Bandeiras, a equipe anunciou sua saída da Stock Car após denunciar diversos problemas na gestão da categoria. Segundo o porta-voz da escuderia, em entrevista ao Bacci Notícias, a equipe enfrentou uma série de dificuldades que tornaram insustentável a continuidade no campeonato.

Cláusulas contratuais restritivas
Conforme relatado pelo representante da Scuderia Bandeiras, existe uma estrutura contratual que impede as equipes de criticarem a gestão da categoria. Segundo ele, cláusulas punitivas preveem multas milionárias capazes de levar qualquer time à falência caso exponha os problemas internos. O porta-voz afirma que essa é uma reclamação generalizada nos bastidores.
De acordo com o entrevistado, essa estrutura criaria uma concentração de poderes no organizador, que assume o papel de gestor, fiscalizador, julgador e executor de penalidades.

Marcio Leme, representante jurídico
Cobrança de R$ 800 mil para upgrade de motores
Segundo o porta-voz da Scuderia Bandeiras, a equipe recebeu uma cobrança de aproximadamente R$ 800 mil para um upgrade de motores. De acordo com ele, a fatura foi justificada como um upgrade obrigatório para os novos motores V8 de 2026, após o fracasso da categoria no ano de 2025.
Conforme relatado, o contrato de 10 anos de aquisição dos carros de competição, firmado com a equipe, determinava que qualquer alteração significativa teria o custo subsidiado pela promotora. O representante afirmou que a própria nota fiscal emitida pela organização descrevia o serviço como um upgrade do kit de motor V8, o que, segundo ele, contradiz a cobrança realizada.
Além disso, segundo o entrevistado, a equipe conviveu com peças de qualidade questionável, atrasos de até nove meses nas entregas e recebimento de componentes que estariam fora do regulamento da categoria.
Problemas com fornecimento de peças
De acordo com o porta-voz da Scuderia Bandeiras, a AudaceTech, fornecedora oficial, entrega sistematicamente peças fora do regulamento. Segundo ele, a fornecedora chegou a entregar peças usadas quando a equipe havia comprado peças novas.
Conforme relatado pelo representante, existe uma armadilha para as equipes: elas são orientadas a fazer a adequação das peças quando chegam fora do padrão, mas correm o risco de serem desclassificadas por suposta adulteração; se utilizam as peças como foram recebidas, também podem ser punidas por não conformidade. O entrevistado apresentou documentos que, segundo ele, mostram rodas com variações significativas de peso, pastilhas de freio com características diferentes das homologadas e cubos de roda sem os furos necessários para montagem.
Problemas generalizados
De acordo com o porta-voz, os problemas não se limitam a casos isolados. Segundo ele, equipes relatam escassez de peças de reposição, com pedidos feitos há nove meses que ainda não foram entregues. Conforme o entrevistado, a dificuldade logística é ainda maior para equipes de fora de São Paulo, que precisam se deslocar constantemente para buscar componentes.
Um caso específico relatado pelo representante ocorreu em março, quando uma equipe comprou uma peça de reposição que não foi entregue. Segundo ele, em junho, durante a etapa em Cuiabá, um dos carros apresentou problemas que prejudicaram a classificação. De acordo com o porta-voz, sem peças novas em estoque, a organização precisou retirar uma peça usada de outro veículo para fornecer à Scuderia Bandeiras.
Preocupações com segurança
Segundo o porta-voz da Scuderia Bandeiras, há preocupações com a segurança dos pilotos. Conforme relatado, o retrabalho em peças de alumínio poderia causar fissuras estruturais, resultando em possíveis quebras mecânicas em retas de alta velocidade. Além disso, segundo ele, os fabricantes não autorizam esse tipo de retrabalho.
De acordo com o entrevistado, a pastilha de freio homologada deve ter dois frisos, porém a fornecedora passou a entregar pastilhas com apenas um. Segundo ele, essa diferença poderia causar desequilíbrio na frenagem. O representante apresentou um print de WhatsApp, datado de 20 de abril, em que a equipe questionou a organização sobre as pastilhas de freio, mas, conforme afirmado, nenhuma ação foi tomada.
Categoria está na mira da Receita Federal
De acordo com o porta-voz da Scuderia Bandeiras, a equipe identificou inconsistências documentais na relação comercial, especialmente no fornecimento de pneus e combustíveis, por meio de auditorias internas. Os problemas dizem respeito a importações temporárias de pneus com benefício fiscal, emissão de faturas comerciais de venda e notas fiscais de serviço de borracharia, todas emitidas na cidade de Cotia.
Conforme relatado pelo representante, a Scuderia Bandeiras, tão logo identificou essas inconsistências, questionou essa operação comercial, mas ficou sem resposta. A somatória desses fatos e questionamentos levou o organizador a iniciar uma perseguição, aplicando multa contratual sob o pretexto de adulteração de peça para obtenção de vantagem competitiva. O porta-voz nega essa acusação, afirmando que as peças foram colocadas nos carros exatamente como foram recebidas da organização fornecedora.
De acordo com o entrevistado, mesmo amparada por liminar judicial que reconheceu sérios indícios de ilegalidades, a organizadora bloqueou o acesso da equipe ao sistema de compra de peças. O representante classifica isso como descumprimento da decisão judicial e afirma que a medida prejudicou os 50 funcionários da equipe.
Futuro: novo projeto no automobilismo brasileiro
Segundo o porta-voz da Scuderia Bandeiras, apesar da saída da Stock Car, a equipe não se rendeu. De acordo com ele, a escuderia está sendo realocada para outra categoria e desenvolve um novo projeto no automobilismo brasileiro.
Conforme relatado pelo representante, a equipe promete oferecer um automobilismo diferente, focado em uma melhor experiência para os fãs e em mais respeito entre todos os envolvidos. Segundo ele, “vamos criar algo que não existe dentro do automobilismo brasileiro, algo inédito, e isso vai surpreender muita gente”, embora mantenha os detalhes em sigilo.
De acordo com o entrevistado, com o piloto Átila Abreu, a Scuderia Bandeiras busca novos projetos que tragam uma perspectiva diferente para o esporte a motor nacional. O representante afirmou que o foco já está no longo prazo.
Posicionamento da Stock Car
Até o momento, a Stock Car não se manifestou sobre os fatos que vieram a público. O portal aguarda posicionamento oficial da organização sobre os pontos levantados pelo porta-voz da equipe.