O Smart Sampa, sistema de segurança urbana da Prefeitura de São Paulo, recebeu reconhecimento internacional na última segunda-feira (29) ao ser anunciado como uma das cinco iniciativas vencedoras do Prêmio UCCI 2025 de Inovação Ibero-americana. O programa, que reúne 40 mil câmeras de videomonitoramento integradas em toda a capital, se destacou como o único na área de segurança pública a ser premiado no Fórum Ibero-americano de Inovação Pública Local, realizado em Madri, na Espanha.

Secretário de segurança municipal, Orlando Morando recebe prêmio na Espanha

O Smart Sampa, sistema de segurança urbana da Prefeitura de São Paulo, recebeu reconhecimento internacional na última segunda-feira (29) ao ser anunciado como uma das cinco iniciativas vencedoras do Prêmio UCCI 2025 de Inovação Ibero-americana. O programa, que reúne 40 mil câmeras de videomonitoramento integradas em toda a capital, se destacou como o único na área de segurança pública a ser premiado no Fórum Ibero-americano de Inovação Pública Local, realizado em Madri, na Espanha.

O sistema foi reconhecido por sua abordagem, utilizando inteligência artificial, sensores urbanos, geolocalização e monitoramento em tempo real para possibilitar a gestão de espaços públicos e a rápida tomada de decisões pelas equipes de segurança. O prêmio foi entregue pelo prefeito de Madrid, José Luiz.

O secretário municipal de Segurança Urbana, Orlando Morando, representou o prefeito Ricardo Nunes no evento e afirmou que a premiação comprova que São Paulo está na vanguarda da segurança pública.

Desde a implementação da tecnologia de reconhecimento facial, em novembro de 2024, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) apresentou resultados significativos, segundo a Administração. A plataforma já efetuou a captura de 1.987 foragidos da Justiça e possibilitou 3.242 prisões em flagrante, com destaque para ocorrências de furto, roubo, tráfico de drogas, vandalismo e invasão de equipamentos públicos. Além disso, o sistema permitiu a localização de 90 pessoas desaparecidas.

Dos 40 mil equipamentos, 20 mil são próprios da plataforma e 20 mil são integrados do setor privado, distribuídos de forma estratégica por todas as regiões da capital.

Saiba mais: Smart Sampa não reduz criminalidade em São Paulo e custa 10 milhões por mês aos cofres públicos

Lançado em 2024, o programa Smart Sampa, que utiliza até 31 mil câmeras e reconhecimento facial na capital paulista, não demonstrou impacto na redução dos principais indicadores de criminalidade, segundo a pesquisa “Smart Sampa vigia, mas não protege”, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC). O estudo analisou dados de março de 2024 a abril de 2025, após mais de um ano de operação, e concluiu que as taxas de furtos, roubos ou homicídios não sofreram queda significativa que possa ser atribuída ao sistema.

O CESeC utilizou a metodologia estatística Diferença em Diferenças (DiD), comparando São Paulo com cidades do interior do estado (grupo de controle) que não implementaram o sistema. A análise mostrou que a taxa de furtos aumentou levemente, mas sem significância estatística. As taxas de homicídios e assaltos permaneceram estáveis. Não houve aumento relevante na produtividade policial, medida por prisões em flagrante ou cumprimento de mandados judiciais.

A coordenadora da pesquisa, Thallita Lima, afirmou que o monitoramento visual em larga escala não substitui uma política pública de segurança efetiva e opera como um “mecanismo de controle simbólico” que projeta a ideia de ação pública sem resultados concretos.

A Prefeitura de São Paulo, que investe cerca de R$ 10 milhões por mês no programa, contesta a metodologia do estudo, alegando que ele utiliza “comparações inadequadas” (comparando a capital com cidades do interior) e ignora os resultados absolutos da operação.

Um balanço da Secretaria da Segurança Pública (SSP) corrobora parte da tese do CESeC, mostrando um aumento nas ocorrências no primeiro semestre de 2025 em comparação com 2024.

  • Homicídios Dolosos: aumento de 12,2%, passando de 221 para 248 registros.
  • Furtos: aumento de 3,8%, passando de 119.112 para 123.734 ocorrências.
  • Roubos: queda de 13,8%, passando de 58.474 para 50.358 ocorrências.

A pesquisa do CESeC também enfatizou o potencial de viés racial do sistema de reconhecimento facial, citando um estudo do MIT de 2018 que mostrou que algoritmos erravam em até 34% ao identificar mulheres negras, mas apenas 1% com homens brancos. A prefeitura nega o viés, afirmando que o Smart Sampa é um sistema avançado que “não utiliza cor da pele como critério, trabalhando apenas com pontos biométricos faciais” e que todos os alertas são validados por agentes humanos, garantindo uma assertividade de 99,5%.

No entanto, um relatório da própria prefeitura de junho detalhou erros de condução para averiguação, incluindo 53 pessoas liberadas por ausência de baixa de mandados no banco de dados e 6 pessoas liberadas por inconsistências cadastrais.

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