A investigação da Polícia Civil que desvendou uma série de assassinatos praticados por integrantes de uma seita no interior do Ceará revelou detalhes perturbadores sobre os momentos que antecediam as execuções. Segundo os investigadores, todas as vítimas eram submetidas ao mesmo ritual: tinham a cabeça coberta por um pano, eram orientadas a pensar em números da Mega-Sena e, segundos depois, eram mortas com um tiro na nuca. O método foi repetido em pelo menos quatro assassinatos atribuídos ao grupo.

Foto: Reprodução / Corpo de Bombeiros.
Foto: Reprodução / Corpo de Bombeiros.

A descoberta dos chamados “serial killers da Mega-Sena” chocou o país ao revelar uma sequência de crimes motivados por uma crença macabra. Segundo a Polícia Civil do Ceará, os integrantes da seita acreditavam que poderiam receber números premiados da Mega-Sena por meio dos espíritos das pessoas assassinadas.

Mas o que mais impressionou os investigadores foi o ritual realizado instantes antes das mortes.

O ritual antes da execução

De acordo com as investigações, as vítimas eram levadas para um sítio localizado em Iguatu, no interior do Ceará, onde aconteciam os encontros promovidos pelo grupo.

Ao chegarem ao local, elas eram submetidas a uma espécie de cerimônia. Segundo a polícia, os integrantes da seita colocavam um pano sobre a cabeça da vítima e davam uma orientação específica.

A ordem era para que a pessoa pensasse nos números da Mega-Sena.

Sem imaginar o que estava prestes a acontecer, a vítima participava do suposto ritual acreditando estar diante de uma cerimônia religiosa ou espiritual. No entanto, segundos depois, era executada com um tiro na nuca.

Segundo os investigadores, o procedimento foi repetido nas quatro mortes atribuídas ao grupo.

Crença macabra motivava os crimes

As apurações apontaram que os criminosos acreditavam que os espíritos das vítimas ficariam presos no local após a morte.

A partir dessa crença, eles imaginavam que poderiam controlar essas entidades e receber informações privilegiadas, incluindo os números sorteados na Mega-Sena.

O delegado Marcos Sandro Lira, responsável pelo caso na época, afirmou que os integrantes da seita tinham objetivos que iam além do dinheiro. Um dos líderes dizia buscar também “poderes divinos”, influência sobre outras pessoas e capacidade de desafiar qualquer um.

Covas já eram preparadas

Outro detalhe que chamou a atenção da polícia foi a forma como os crimes eram planejados.

Segundo a investigação, os suspeitos já deixavam covas abertas antes mesmo de escolher quem seria morto. As vítimas eram atraídas com promessas de festas, dinheiro ou convites para encontros.

Os investigadores afirmaram que as escolhas aconteciam de forma aleatória, embora pessoas emocionalmente fragilizadas fossem consideradas alvos mais fáceis.

Após a prisão dos suspeitos, equipes localizaram quatro corpos enterrados no sítio utilizado pelo grupo.

Condenação dos envolvidos

O caso que levou à condenação dos acusados foi o assassinato do estudante Jheyderson de Oliveira Chavier. O corpo dele foi encontrado enterrado nas proximidades da chamada “Casa da Morte”, nome dado pelos investigadores ao imóvel onde aconteciam os rituais.

Em dezembro de 2021, o Tribunal do Júri condenou Gleudson Dantas Barros e Roberto Alves da Silva pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores.

Apesar da condenação, a Polícia Civil afirmou que os dois também são apontados como responsáveis por outras três mortes praticadas exatamente da mesma maneira.

Segundo os investigadores, o ritual do pano na cabeça, o pedido para pensar nos números da Mega-Sena e o disparo na nuca se repetiram em todos os assassinatos atribuídos à seita, tornando o caso um dos mais perturbadores já registrados no Ceará.

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