O Senado aprovou, na quarta-feira (25), um projeto de lei que pode mudar os rumos de casos de violência extrema contra mulheres, como o ocorrido em Itumbiara. A proposta cria o crime de “vicaricídio”, que consiste em matar filhos, pais ou dependentes diretos de uma mulher com o objetivo de puni-la ou causar sofrimento.

Secretário, filhos e Sarah (Reprodução/Redes Sociais)
Secretário, filhos e Sarah (Reprodução/Redes Sociais)

O Senado aprovou, na quarta-feira (25), um projeto de lei que pode mudar os rumos de casos de violência extrema contra mulheres, como o ocorrido em Itumbiara. A proposta cria o crime de “vicaricídio”, que consiste em matar filhos, pais ou dependentes diretos de uma mulher com o objetivo de puni-la ou causar sofrimento.

O texto agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Matar descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher, com o fim específico de causar-lhe sofrimento, punição ou controle, no contexto de violência doméstica e familiar”, diz a proposta.

Além disso, o projeto inclui o crime na lista de crimes hediondos e no rol de violência doméstica.

As penas previstas variam de 20 a 40 anos de reclusão e podem ser aumentadas em até um terço, o equivalente a pelo menos seis anos a mais, em situações como:

  • quando o crime for praticado na presença da mulher que se pretende atingir;
  • quando a vítima for criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência;
  • quando houver descumprimento de medida protetiva de urgência.

O texto original foi proposto pela deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), com o objetivo de “sanar essa indesejável omissão” na tipificação do Código Penal.

Caso de Itumbiara

A proposta ganhou força após crimes como o ocorrido em Itumbiara, envolvendo o então secretário de governo Thales Machado.

Ele matou os próprios filhos, Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8, enquanto eles dormiam em um apartamento na cidade. As crianças eram netas do prefeito Dion Araújo.

Após o crime, ele tirou a própria vida. A principal linha de investigação aponta que a motivação teria sido a não aceitação do fim do casamento de 15 anos com Sarah Araújo.

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