O pastor Silas Malafaia é investigado no STF por financiar atos pró-Bolsonaro, manter conversas privadas com o ex-presidente e criticar o ministro Alexandre de Moraes. Em entrevista, Malafaia defende sua atuação, classifica como “covardes” líderes evangélicos que não se posicionam politicamente e afirma não temer prisão, dizendo que seria “perseguição política e religiosa”.
O pastor Silas Malafaia se tornou alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) por seu envolvimento em atos pró-Jair Bolsonaro (PL). Segundo o processo, Malafaia financiou manifestações, gravou mais de 50 vídeos críticos ao ministro Alexandre de Moraes e manteve conversas privadas com o ex-presidente nas quais o aconselhava a produzir conteúdo contra o magistrado. Ele também teria xingado o deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
Em operação da Polícia Federal realizada no mês passado, foram apreendidos passaporte, celular e “cadernos de esboços bíblicos” do pastor. Malafaia se tornou parte do inquérito que já investiga Jair e Eduardo Bolsonaro.
Em entrevista à Folha na última terça-feira (2), primeiro dia do julgamento de Bolsonaro no STF, o pastor criticou colegas do meio evangélico que permanecem em silêncio diante do confronto com o Judiciário. Segundo ele, há três tipos de líderes que não se posicionam: aqueles que não atuam politicamente, os covardes que têm medo de retaliação e os que não possuem preparo para argumentar. “Melhor calar. E acho que é até inteligente, porque a Bíblia diz que até o tolo, quando se cala, se acha por sábio”, afirmou.
Sobre a possibilidade de prisão, Malafaia afirmou que seria alvo de “perseguição política e religiosa”. Ele disse não temer uma eventual detenção e reforçou que não possui relação com sanções impostas pelos Estados Unidos durante o governo Donald Trump. “Não falo inglês, nunca falei com autoridade americana nenhuma, [falei] poucas vezes com Paulo Figueiredo e com Eduardo. Se me prender, é pura covardia e perseguição”, declarou.
Presença em ato de 7 de Setembro
O pastor também confirmou que estará à frente de um novo ato bolsonarista no dia 7 de setembro, na Avenida Paulista, e rejeitou a ideia de concorrer à Presidência, negando ser um “Superman evangélico”.
A investigação da PF considera que Malafaia, ao financiar atos antidemocráticos e estimular uma agenda golpista, pode ter contribuído para pressionar autoridades e o próprio ex-presidente a contestar decisões do STF. A situação reforça o protagonismo do pastor no debate político dentro do segmento evangélico, colocando-o sob intensa observação das autoridades judiciais.
