As buscas por desaparecidos entram no quinto dia após fortes chuvas na Zona da Mata mineira. Já são mais de 70 mortos em cidades como Juiz de Fora e Ubá, além de milhares de desabrigados. Um levantamento aponta alta vulnerabilidade da população em áreas de risco.
O Corpo de Bombeiros entrou, neste sábado (28), no quinto dia de buscas por desaparecidos após os temporais que atingiram cidades da Zona da Mata mineira. O cenário ainda é de destruição, com mortos, desaparecidos e milhares de pessoas desalojadas.
De acordo com balanço da Polícia Civil e dos bombeiros, Juiz de Fora concentra o maior número de vítimas: são 64 mortos e um desaparecido. Do total de mortes, 60 corpos já foram resgatados pelas equipes.
Em Ubá, foram confirmadas seis mortes e duas pessoas seguem desaparecidas. Já em Cataguases, um novo desaparecido foi incluído na lista na sexta-feira (27), também após as fortes chuvas.
Buscas continuam e mobilizam voluntários
As operações seguem intensas neste quinto dia. Por volta das 11h, os bombeiros localizaram o corpo de um homem de 48 anos no bairro Linhares, em Juiz de Fora.
Agora, as equipes concentram esforços no bairro Paineiras, onde um menino de 9 anos continua desaparecido. No local, uma corrente de voluntários se formou para ajudar na retirada da lama e facilitar o trabalho dos militares.
Além disso, a Defesa Civil municipal e estadual atuam junto com o Crea-MG para avaliar os riscos estruturais na região, principalmente em relação às pedras do Morro do Cristo, que podem oferecer perigo de novos deslizamentos.
Em Ubá, o efetivo de resgate foi reforçado na tentativa de localizar os dois desaparecidos.
Mais de 8 mil pessoas fora de casa
Desde a última segunda-feira (23), a região enfrenta chuvas intensas que provocaram deslizamentos de terra, enchentes e enxurradas. O impacto humanitário é significativo.
Somente em Juiz de Fora, já são 8.584 pessoas entre desabrigadas e desalojadas, segundo dados atualizados da Defesa Civil. O município também contabiliza 2.367 ocorrências relacionadas aos temporais.
Cidade está entre as mais vulneráveis do país
Um levantamento do Cemaden revela que Juiz de Fora ocupa a 9ª posição entre as cidades brasileiras com maior população vivendo em áreas de risco.
O município tem 540.756 habitantes, sendo que 128.946 vivem em locais suscetíveis a deslizamentos, enchentes e enxurradas — o equivalente a 23,7% da população.
Os dados reforçam a vulnerabilidade da região diante de eventos climáticos extremos, que têm se tornado mais frequentes e intensos nos últimos anos.