Dado como morto durante o conflito na Ucrânia, o soldado Oleh sobreviveu a ataques de drones, bombardeios e a uma fuga de 12 dias ferido e isolado. Ele reapareceu após amputações causadas por gangrena e decidiu relatar sua história para denunciar as dificuldades de resgate e atendimento médico na linha de frente da guerra.

Soldado ucraniano Oleh teve dedos e as pernas amputados — Foto: Reprodução
Soldado ucraniano Oleh teve dedos e as pernas amputados — Foto: Reprodução

Um soldado ucraniano identificado como Oleh passou a ser chamado de o “mais sortudo da Ucrânia” após sobreviver a uma sequência extrema de ataques durante o conflito contra as forças russas. Ele conseguiu escapar de cinco ofensivas com drones e de um bombardeio de morteiros enquanto tentava fugir da linha de frente, em uma jornada que durou 12 dias em meio ao inverno rigoroso. Durante esse período, Oleh foi dado como morto pelas autoridades militares.

Separado duas vezes de seus companheiros durante uma grande ofensiva de inverno, o combatente ficou isolado, ferido e sem acesso imediato a água ou comida, enfrentando temperaturas que chegaram a 14 graus negativos. Mesmo atingido três vezes, ele seguiu em frente e se recusou a desistir, resistindo por dias até conseguir alcançar uma área relativamente segura.

O reencontro com a família, no entanto, veio acompanhado de consequências severas. Ao finalmente retornar a Kiev e rever a esposa e a filha adolescente, Oleh já havia passado por amputações nas pernas e perdido as pontas dos dedos da mão direita, em razão de uma gangrena provocada pelos ferimentos e pela demora no socorro. A família passou uma semana acreditando que ele estivesse morto.

Oleh decidiu tornar pública sua história para expor as dificuldades enfrentadas por soldados feridos na linha de frente, onde o risco constante de ataques impede resgates rápidos. Em seu caso, o atendimento médico profissional só foi possível quase duas semanas após o primeiro ferimento, período em que sobreviveu com o apoio limitado de medicamentos enviados por drones. Médicos destacam que, diferente de outros conflitos recentes, a guerra atual tornou rara a chamada “hora de ouro” — intervalo crucial para salvar vidas após ferimentos graves.

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