O STF prepara um esquema especial de segurança para o julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus na trama golpista, marcado para 2 de setembro. O plano inclui varreduras nas casas dos ministros, policiamento 24h, grades de proteção e restrição à Praça dos Três Poderes. A corte requisitou 30 policiais extras e teme possíveis ataques, especialmente durante as manifestações no 7 de Setembro.

STF monta esquema de segurança reforçado para julgamento de Bolsonaro; veja detalhes

O Supremo Tribunal Federal (STF) montou um esquema de segurança robusto e sem precedentes para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus acusados de participação na chamada “trama golpista”.

O julgamento está marcado para começar no próximo dia 2 de setembro e deve se estender até o 12 do mesmo mês.

Entre as medidas definidas, estão varreduras nas casas dos ministros, restrição do acesso à Praça dos Três Poderes e o reforço expressivo no policiamento dentro e fora da sede do STF, em Brasília. Para garantir a segurança máxima, policiais foram mobilizados de tribunais de todo o país e estão, inclusive, dormindo no próprio Supremo, em dormitórios improvisados.

Policiamento 24 horas e reforço nacional

De acordo com informações internas do STF, cerca de 30 policiais judiciais de outros tribunais foram requisitados para reforçar o efetivo, que atuará de forma permanente até o fim do julgamento. Além disso, todo o quadro da Polícia Judicial do Supremo será utilizado no esquema especial.

Um dormitório com beliches foi montado no interior da Corte para que os agentes fiquem de prontidão 24 horas por dia. A previsão inicial é que eles permaneçam por pelo menos dois meses, com possibilidade de prorrogação, caso as tensões em torno do julgamento persistam.

A medida foi considerada necessária devido ao aumento das ameaças contra o STF e seus ministros nas últimas semanas. Fontes ligadas à segurança afirmam que a Corte teme a possibilidade de ataques isolados e mobilizações bolsonaristas que possam sair do controle.

Plano estratégico com o GDF e manifestações esperadas

O plano de segurança está sendo elaborado em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e considera dois fatores de risco adicionais:

  1. A proximidade do 7 de Setembro – as sessões do julgamento coincidem com as comemorações da Independência, data historicamente usada para atos políticos e manifestações populares.

  2. A convocação de protestos bolsonaristas – grupos de apoiadores do ex-presidente já anunciaram mobilizações na capital federal durante o período do julgamento, o que eleva o estado de alerta.

O receio das autoridades é que manifestações pacíficas possam ser infiltradas por radicais e acabem se transformando em atos violentos, como ocorreu em 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.

Atenção a possíveis “ratos solitários”

Um dos maiores temores da equipe de segurança não são apenas grupos organizados, mas indivíduos agindo sozinhos, sem vínculo com movimentos políticos.

Um exemplo recente é o caso de Francisco Wanderley Luiz, conhecido como Tiü França, que se explodiu em novembro de 2024 ao lado da estátua da Justiça, em frente ao STF.

Após o episódio, o tribunal reforçou as grades de contenção ao redor do prédio, que haviam sido removidas em fevereiro de 2024, numa cerimônia simbólica com o presidente Luís Roberto Barroso, o presidente Lula e o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A explosão obrigou a reinstalação das barreiras, que agora permanecem por tempo indeterminado.

Segundo integrantes da Corte, o termo “lobo solitário” foi abandonado pelos agentes de segurança para evitar uma conotação positiva. Hoje, esses indivíduos são chamados de “ratos solitários”, por representarem ataques imprevisíveis e de difícil contenção.

Bolsonaro avalia ir ao julgamento

Outro fator que preocupa o STF é a possibilidade de Jair Bolsonaro querer assistir às sessões presencialmente. Embora esteja em prisão domiciliar, aliados afirmam que o ex-presidente avalia a conveniência política de “encarar os ministros frente a frente” durante o julgamento.

Caso Bolsonaro decida comparecer, o esquema de segurança será reforçado ainda mais, não apenas por se tratar de um ex-presidente, mas também pelo potencial de comoção e mobilização popular que sua presença pode causar.

Sessões já têm datas marcadas

O cronograma do julgamento do núcleo central da trama golpista foi definido pelo presidente da Primeira Turma do STF, ministro Cristiano Zanin. As sessões estão marcadas para os dias:

  • 2 de setembro

  • 3 de setembro

  • 9 de setembro

  • 10 de setembro

  • 12 de setembro

A expectativa é que o julgamento dure duas semanas, com sessões concentradas na análise das provas e das acusações contra os oito réus.

Clima de tensão deve permanecer

Mesmo após a conclusão do julgamento, a avaliação de bastidores é que as tensões políticas e sociais devem continuar por meses. Isso porque, em caso de condenação, Bolsonaro não será preso imediatamente, a detenção só pode ocorrer após o trânsito em julgado, quando se esgotarem todos os recursos.

Além disso, o 29 de setembro, data marcada para a posse do ministro Edson Fachin como novo presidente do STF, pode se tornar outro foco de mobilização política, o que mantém a Corte em alerta máximo.

Vídeos curtos

Mais lidas