O Reino Unido registrou um aumento significativo nos casos de salmonela, atingindo o maior nível em uma década, segundo autoridades de saúde. A Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido (UKHSA) informou que foram mais de 10 mil infecções em 2025, número ligeiramente superior ao ano anterior. Embora a maioria dos casos apresente sintomas leves, a doença pode evoluir para quadros graves e até fatais.

Bactéria Salmonela (Foto: Freepik)
Bactéria Salmonela (Foto: Freepik)

Autoridades de saúde do Reino Unido emitiram um alerta após um aumento nos registros de casos de salmonela com desfecho fatal no país. Segundo dados recentes, a Inglaterra atingiu em 2025 o maior nível de ocorrências da última década.

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Imagem ilustrativa de bactéria (Foto: Freepik)

De acordo com a Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido (UKHSA), foram contabilizados 10.406 casos neste ano, número ligeiramente superior aos 10.389 registrados no período anterior.

A infecção, que pode provocar sintomas como febre, diarreia e mal-estar geral, costuma ter evolução leve na maioria dos pacientes, mas pode se agravar e levar a complicações graves, incluindo morte em alguns casos.

As autoridades explicam que a transmissão da salmonela está, em grande parte, associada ao consumo de alimentos contaminados, como aves, carnes, ovos, frutas e vegetais crus, além de laticínios não pasteurizados.

A UKHSA também destaca que a contaminação pode ocorrer por contato próximo com pessoas infectadas ou pela chamada contaminação cruzada em ambientes domésticos, especialmente quando utensílios utilizados para alimentos crus e cozidos não são devidamente higienizados.

Especialistas levantam hipóteses para alta nas infecções

A Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido (UKHSA) não especificou, até o momento, um fator único que explique o aumento recente dos casos de salmonela no país.

No entanto, especialistas já contestaram hipóteses semelhantes em situações anteriores, apontando que o crescimento pode estar relacionado a diferentes fatores, como a ampliação da capacidade de detecção de infecções e possíveis falhas ou fragilidades nos controles sanitários de produtos importados.

Diante do cenário, a UKHSA reforçou a necessidade de adoção de medidas preventivas para reduzir o risco de contaminação por bactérias associadas a intoxicações alimentares.

O órgão também destacou que crianças pequenas, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido devem redobrar a atenção, já que fazem parte do grupo mais vulnerável ao desenvolvimento de quadros mais graves da infecção.

UKHSA alerta para altos níveis de infecções

A vice-diretora de Infecções Gastrointestinais da Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido (UKHSA), Dra. Gauri Godbole, afirmou que o país segue registrando níveis elevados e persistentes de infecções gastrointestinais na Inglaterra.

Segundo ela, as autoridades continuam atuando em conjunto com parceiros para identificar, investigar e conter a disseminação dessas doenças.

A especialista destacou que esse tipo de infecção pode ser transmitido de diferentes formas, incluindo a ingestão de alimentos ou água contaminados, o contato direto com pessoas infectadas e até a exposição a animais doentes ou ambientes contaminados.

Dra. Gauri reforçou ainda a importância de medidas básicas de higiene, como a lavagem cuidadosa das mãos com água e sabão, especialmente após o uso do banheiro, o manuseio de carne crua, o contato com animais ou visitas a ambientes rurais, como forma de reduzir o risco de contágio.

Ela também orientou que pessoas com sintomas como diarreia ou vômito evitem preparar alimentos para terceiros, não retornem ao trabalho durante o período sintomático e mantenham crianças fora de escolas ou creches até, no mínimo, 48 horas após o desaparecimento dos sintomas.

Órgão reforça fiscalização e orientação a empresas do setor alimentar

Em paralelo, o vice-diretor de Política Alimentar da Food Standards Agency, Dr. James Cooper, declarou que a segurança da população segue como prioridade e que o órgão trabalha em conjunto com a UKHSA para compreender os fatores por trás do aumento dos casos de salmonela, com o objetivo de adotar medidas de proteção à saúde pública.

Cooper acrescentou que a agência também tem apoiado estabelecimentos alimentares no cumprimento das normas de segurança e orientado consumidores a verificarem as classificações de higiene antes de frequentar restaurantes e serviços de alimentação.

Por fim, ele recomendou a adoção das chamadas “4Cs” da higiene alimentar como forma de prevenção de intoxicações: limpeza, separação de alimentos crus e cozidos para evitar contaminação cruzada, cozimento adequado e cuidados gerais na manipulação dos alimentos.

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OMS classifica bactérias com base em impacto e gravidade

Milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência de infecções causadas por bactérias, mesmo quando há uso de antibióticos no tratamento. Em muitos casos, esses medicamentos deixam de ser eficazes porque os microrganismos desenvolvem resistência, tornando as terapias menos efetivas.

Diante desse cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as bactérias mais perigosas a partir de uma série de critérios. Entre eles estão as taxas de mortalidade, a frequência de infecções registradas e o impacto dessas doenças na saúde pública.

Também são considerados fatores como o nível de resistência aos tratamentos disponíveis, a facilidade de transmissão entre pessoas e a possibilidade de prevenção das infecções.

Além disso, a OMS avalia as opções terapêuticas existentes e o ritmo de desenvolvimento de novos medicamentos para combater essas bactérias, o que ajuda a definir prioridades no enfrentamento global dessas infecções.

Veja abaixo as bactérias mais perigosas do mundo

1- Klebsiella pneumoniae

A Klebsiella é um gênero de bactéria que pode ser encontrado naturalmente no intestino humano e também nas fezes. A espécie Klebsiella pneumoniae, no entanto, está associada a infecções potencialmente graves, como pneumonia, septicemia (infecção generalizada) e infecções em feridas.

Em casos mais severos, quando atinge o sistema nervoso, pode levar ao desenvolvimento de meningite.

Em ambientes hospitalares, essa bactéria pode sofrer mutações e adquirir características que a tornam uma chamada superbactéria, com alta capacidade de disseminação e resistência a múltiplos antibióticos, o que dificulta significativamente o tratamento.

Além disso, a Klebsiella pneumoniae pode apresentar resistência aos carbapenêmicos, antibióticos considerados de última linha e utilizados apenas em situações críticas, quando outras opções terapêuticas já não surtiram efeito. O uso inadequado e excessivo desses medicamentos contribui diretamente para o avanço da resistência bacteriana.

2- Escherichia coli (E. coli)

Assim como a Klebsiella, a bactéria Escherichia coli (E. coli) também está presente de forma natural no intestino de seres humanos e animais. Além disso, pode ser encontrada no meio ambiente, em alimentos e em fontes de água, especialmente quando há contaminação.

Embora a maioria das cepas de E. coli seja considerada inofensiva, algumas variantes podem provocar doenças importantes, incluindo diarreia, infecções do trato urinário, pneumonia e até quadros de sepse.

A bactéria ganhou destaque internacional recentemente após registros de altos níveis no rio Sena, em Paris, o que gerou debates durante os Jogos Olímpicos de 2024 na capital francesa.

No campo da resistência antimicrobiana, algumas cepas de E. coli já apresentam resistência a antibióticos como as cefalosporinas de terceira geração, amplamente utilizadas no tratamento de diversas infecções, inclusive algumas sexualmente transmissíveis, como a gonorreia.

Há também registros de resistência a carbapenêmicos, medicamentos considerados de última linha no combate a infecções bacterianas graves.

Bactérias Escherichia coli, habitante comum do intestino humano (Foto: NIAID/NIH)

3- Acinetobacter baumannii

Em 2012, pesquisadores classificaram a Acinetobacter baumannii como um patógeno bacteriano oportunista em ascensão, frequentemente associado a infecções adquiridas em ambiente hospitalar.

O risco de contaminação tende a aumentar conforme a permanência do paciente no hospital se prolonga. Indivíduos com o sistema imunológico fragilizado estão entre os mais suscetíveis a esse tipo de infecção.

A bactéria também apresenta resistência aos carbapenêmicos, grupo de antibióticos considerados de última linha no tratamento de infecções graves, o que dificulta ainda mais o manejo clínico dos casos.

4- Mycobacterium tuberculosis

A Mycobacterium tuberculosis é a bactéria responsável pela tuberculose, uma infecção que afeta principalmente os pulmões e pode ser potencialmente fatal. Algumas variantes do microrganismo já desenvolveram resistência a múltiplos medicamentos, sendo classificadas como multirresistentes, o que dificulta o tratamento.

Em 2023, a doença foi associada a cerca de 1,25 milhão de mortes no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a tuberculose voltou a ocupar posição de destaque entre as principais causas de óbito provocadas por um único agente infeccioso, após ter sido superada pela Covid-19 nos três anos anteriores.

Entre os fármacos afetados pela resistência bacteriana está a rifampicina, antibiótico amplamente utilizado no tratamento da tuberculose e também de outras doenças, como a hanseníase.

Imagem de microscopia eletrônica mostra a bactéria Mycobacterium tuberculosis, que provocam tuberculose  (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID)

5- Salmonela typhi

A Salmonella typhi é a bactéria responsável pela febre tifoide, uma doença infecciosa que atinge principalmente populações em áreas com saneamento básico deficiente, especialmente em regiões da África, Ásia e América Latina. Estima-se que cerca de 9 milhões de pessoas sejam infectadas todos os anos.

O microrganismo também apresenta resistência a antibióticos da classe das fluoroquinolonas, medicamentos que podem estar associados a diferentes efeitos adversos. Por esse motivo, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) já impôs restrições ao uso desse tipo de fármaco em determinados contextos clínicos.

6- Espécies de Shigella

O gênero Shigella é composto por quatro espécies principais: Shigella sonnei, Shigella flexneri, Shigella boydii e Shigella dysenteriae. Essas bactérias são responsáveis por infecções intestinais que podem provocar sintomas como diarreia, dor abdominal e febre.

A transmissão ocorre principalmente por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados, embora também possa acontecer por contato sexual em determinadas situações.

Além disso, a Shigella apresenta resistência a antibióticos da classe das fluoroquinolonas, o que dificulta o tratamento em alguns casos e reforça a preocupação com o avanço da resistência antimicrobiana.

7- Enterococcus faecium

A Enterococcus faecium é uma bactéria que faz parte da microbiota intestinal humana, também conhecida como microbioma. Em condições normais, ela convive no organismo sem causar danos, mas pode se tornar perigosa em pessoas com comorbidades, como diabetes ou doenças renais crônicas.

Nesses casos, o microrganismo pode estar associado ao desenvolvimento de infecções urinárias e, em situações mais graves, acometer o sistema nervoso.

A bactéria também apresenta resistência à vancomicina, um antibiótico amplamente utilizado no tratamento de infecções bacterianas graves, o que limita as opções terapêuticas disponíveis em alguns quadros clínicos.

Imagem gerada por computador em 3D mostra aglomerado de bactéria Enterococcus resistente à vancomicina (Foto: James Archer/CDC)

8- Pseudomonas aeruginosa

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria associada a infecções que podem atingir diferentes partes do organismo, incluindo corrente sanguínea, pulmões e trato urinário, sendo mais comum em contextos hospitalares, especialmente após procedimentos cirúrgicos.

Pacientes com o sistema imunológico comprometido, seja por doenças pré-existentes ou pelo uso de determinados medicamentos, estão entre os grupos mais vulneráveis a esse tipo de infecção.

Além disso, esse microrganismo é conhecido por apresentar multirresistência a antibióticos, incluindo os carbapenêmicos, o que torna seu tratamento mais complexo e limitado em muitos casos clínicos.

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