Novo surto de Ebola na República Democrática do Congo e em países vizinhos acendeu o alerta da comunidade científica. Cientistas do CDC alertam que a epidemia, impulsionada pela rara cepa Bundibugyo, pode se tornar uma das maiores da história. O surto já soma 452 casos e 82 mortes, enfrentando dificuldades de controle devido a conflitos armados e à falta de tratamentos específicos.

Fora de controle? Avanço do Ebola assusta cientistas e acende alerta

Um novo surto de Ebola na República Democrática do Congo e em países vizinhos está acendendo o alerta máximo na comunidade científica internacional. De acordo com pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a epidemia atual tem potencial para se tornar uma das maiores e mais devastadoras da história caso medidas urgentes de contenção não sejam aplicadas.

O avanço acelerado da doença preocupa autoridades de saúde do mundo inteiro devido ao crescimento exponencial de diagnósticos na região. O cenário epidemiológico local se agravou consideravelmente no último monitoramento divulgado no último sábado (06).

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No levantamento foi constatado que nas últimas 24 horas, o Congo confirmou 71 novos casos de Ebola, elevando o total de diagnósticos para 452 pessoas, com 82 mortes registradas até o momento. A velocidade com que a transmissão vem ocorrendo mobiliza frentes internacionais de resposta.

Cepa Bundibugyo desafia a medicina por não possuir vacinas ou tratamentos específicos

O grande desafio deste surto é a presença da cepa Bundibugyo, uma linhagem rara e altamente letal do vírus Ebola. Investigações detalhadas do CDC apontam que o vírus já circulava silenciosamente no Congo entre janeiro e fevereiro, cerca de dois a três meses antes da notificação oficial do primeiro caso suspeito.

Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados para combater a variante Bundibugyo, o que torna o isolamento rápido a única barreira eficiente contra a doença.

Cientistas correm contra o tempo, pois cenários matemáticos desenhados por pesquisadores revelam projeções alarmantes para os próximos meses:

  • Cenário de baixa contenção: Se apenas 20% dos infectados forem detectados e isolados rapidamente, há 65% de chances de o número de casos ultrapassar 20 mil nos próximos três meses.
  • Cenário de alta contenção: Caso a identificação de novos pacientes e o isolamento ocorram de forma ágil, o risco de uma catástrofe humanitária cai drasticamente.

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Força-tarefa internacional busca arrecadar U$ 518 milhões para estruturar sistemas de testagem rápida

Para tentar frear o avanço da doença, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o CDC da África (órgão vinculado à União Africana) anunciaram uma força-tarefa internacional de emergência. O objetivo principal da coalizão global é arrecadar U$ 518 milhões (cerca de R$ 2,67 bilhões) em recursos emergenciais para conter o patógeno.

A verba será integralmente destinada aos países africanos mais afetados para estruturar sistemas de testagem rápida e resposta imediata. O risco de internacionalização da crise sanitária é iminente, visto que, além do epicentro no Congo, a vizinha Uganda já confirmou 19 casos, aumentando o receio de que o vírus atravesse novas fronteiras terrestres.

Transmissão ocorre por contato direto com fluidos

Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, o vírus do Ebola é altamente contagioso. A transmissão ocorre por meio do contato direto com sangue, secreções, fezes, urina, saliva, leite materno e sêmen de pessoas ou animais infectados, além do contato com superfícies, roupas de cama ou objetos contaminados, e do manuseio de corpos de pessoas falecidas em decorrência da doença.

Por que o controle é tão difícil?

O surto atual se concentra em regiões da África com infraestrutura hospitalar precária e severos conflitos armados. A violência local impede que equipes médicas e ajuda humanitária acessem as áreas de maior transmissão para isolar os pacientes de forma segura.

Surto de Ebola preocupa autoridades de saúde após aumento de casos. Foto: Reprodução.

Sintomas iniciais do Ebola assemelham-se a doenças tropicais

Por fim, as autoridades reforçam a necessidade de diagnóstico precoce, embora na fase inicial os sintomas da infecção pelo vírus Ebola possam ser facilmente confundidos com outras doenças tropicais comuns. O paciente costuma apresentar febre repentina, calafrios, cansaço intenso, fadiga, além de fortes dores musculares e de cabeça.

Com a evolução do quadro clínico, a gravidade aumenta severamente, gerando vômitos, diarreia, lesões cutâneas (na pele) e o comprometimento das funções hepática e renal. Em casos avançados da infecção, ocorrem graves distúrbios de coagulação que levam a sangramentos e hemorragias internas e externas.

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