Um suspeito de importunação sexual ocorrida no bairro Japiim, em Manaus, foi submetido a uma sessão de tortura por integrantes de um “tribunal do crime”. O ato de violência foi gravado e compartilhado por criminosos, mostrando o homem confessando o delito original antes de ser agredido com pedaços de madeira.
Um homem, cuja identidade ainda não foi revelada, foi filmado por uma cliente, em um supermercado na zona sul de Manaus (AM), no momento em que exibia os órgãos genitais. Com o registro que viralizou o individuo foi capturado por grupos criminosos locais.

A ampla circulação das imagens nas redes sociais permitiu a identificação e localização do suspeito pelos integrantes de uma facção criminosa. Sob a doutrina da “justiça com as próprias mãos”, o homem foi capturado e submetido ao chamado “Tribunal do Crime”.
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Vídeo da tortura divulgado pelo ‘Tribunal do Crime’
Em vídeos divulgados pelos próprios agressores, o suspeito aparece sendo interrogado e posteriormente “disciplinado” com golpes de madeira, uma prática de tortura utilizada por grupos organizados para exercer controle social em áreas periféricas.
Durante a gravação da sessão de agressões, os executores exigem que o homem admita a autoria da importunação. No diálogo capturado, o suspeito confirma a motivação da “cobrança”:
- Agressor: “Tá ciente porque tá sendo cobrado, irmão? Fala aí teu ato, parceiro.”
- Suspeito: “Eu mexi com a menina lá do DB.” Os criminosos enfatizam que a ação não se trata de uma “oportunidade”, mas de uma retaliação direta, afirmando que atuam sem clemência contra infratores de certas normas internas impostas pelo crime.
Assista ao vídeo
Ainda durante a tortura, os criminosos ainda repreendem o suspeito:
“Isso aqui não é uma oportunidade que [nós] tá te dando não. Agradece a Deus porque [nós] é o crime, [nós] não tem amor não, parceiro”, diz o criminoso.
Até o momento, os órgãos de Segurança Pública do Amazonas, incluindo a Polícia Militar e a Polícia Civil, não divulgaram informações sobre a identificação dos envolvidos ou o estado de saúde do suspeito após a tortura.
As autoridades agora enfrentam o desafio de investigar duas frentes criminais distintas. A primeira refere-se ao ato de importunação sexual cometido no supermercado, onde as imagens gravadas pela vítima servem como prova material. A segunda trata da identificação dos membros da facção que filmaram a sessão de tortura.
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