O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central definiu, nesta terça e quarta-feira (27 e 28) que a taxa básica de juros, a Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), seguirá em 15% ao ano.
A Taxa Selic permanecerá em 15% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgado no início da noite desta quarta-feira (28). A manutenção da taxa básica de juros nesse patamar tem impacto direto no cotidiano da população, especialmente no custo de empréstimos e financiamentos.
Com os juros elevados, adquirir recursos por esses meios fica mais caros, enquanto dívidas tendem a se alongar e o acesso se torna mais restrito, afetando desde o consumo das famílias até o planejamento financeiro de empresas e trabalhadores.
Selic nas alturas encarece o crédito
Para quem depende de crédito, como no financiamento de imóveis, veículos ou no uso do rotativo do cartão, o efeito é imediato: as parcelas ficam mais altas e o valor final pago aumenta consideravelmente. Em um cenário de Selic elevada, como nos níveis atuais, bancos e instituições financeiras repassam esse custo aos consumidores, encarecendo operações de crédito e dificultando renegociações de dívidas.
Além disso, juros altos também influenciam o orçamento doméstico de forma indireta. Com menos dinheiro circulando e consumo mais contido, a atividade econômica desacelera, o que pode refletir em menos geração de empregos e maior cautela nas contratações, afetando a renda de muitas famílias.
O que é a taxa Selic?
A Taxa Selic, ou o Sistema Especial de Liquidação e Custódia, é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve como referência para todas as outras taxas praticadas no mercado, incluindo empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.
Definida pelo Copom, a Selic é o principal instrumento utilizado para controlar a inflação. Em momentos onde o aumento dos preços de bens e serviços foge das metas estabelecidas pelo Banco Central, a taxa é elevada a fim de arrefecer a atividade econômica, de modo a diminuí-lo para dentro das expectativas projetadas pelo mercado.
Resultado da taxa elevada
Com a Selic em um nível elevado, o principal efeito é a contenção da inflação, já que o crédito mais caro reduz o consumo. Por outro lado, esse movimento pesa no bolso da população, encarecendo dívidas e limitando o acesso a financiamentos.
Para quem consegue poupar, os rendimentos de aplicações atreladas aos juros tendem a ser maiores, enquanto quem precisa tomar crédito enfrenta maiores dificuldades, tendo em vista o rápido crescimento dos juros.
Quando a taxa mudará?
Mudanças na Taxa Selic dependem da avaliação do Copom sobre o comportamento da inflação, da atividade econômica e do cenário fiscal. O comitê se reúne periodicamente ao longo do ano e, caso os indicadores mostrem maior controle inflacionário e melhora no ambiente econômico, podem ocorrer ajustes na taxa.
Durante a reunião realizada nesta quarta-feira, o comitê declarou que espera pelo início dos cortes na próxima reunião, que acontecerá em março.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, publicou.
Maior Selic em 20 anos
A última vez que a taxa de juros superou os patamares atuais aconteceu há cerca de 20 anos, em maio de 2006, quando esteve em 15,25% ao ano, durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o Relatório Focus divulgado na última segunda-feira (26), a expectativa é de que o IPCA de 2026 feche em 4%, enquanto a Selic deve encerrar o ano em 12,25% a.a.