O Brasil tem se consolidado como um dos principais destinos para homens trans que buscam cirurgia de reconstrução genital. Desenvolvida por pesquisadores brasileiros, uma técnica inovadora tem chamado a atenção de pacientes de diversos países por possibilitar a construção de um pênis com potencial para ereção, preservação da sensibilidade e maior comprimento em comparação com métodos convencionais.
O Brasil tem se consolidado como um dos principais destinos para homens trans que buscam cirurgia de reconstrução genital. Desenvolvida por pesquisadores brasileiros, uma técnica inovadora tem chamado a atenção de pacientes de diversos países por possibilitar a construção de um pênis com potencial para ereção, preservação da sensibilidade e maior comprimento em comparação com métodos convencionais.

Tamanho do ‘documento’ era motivo de disputa entre humanos
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o procedimento passou a atrair pacientes de diferentes continentes após a divulgação dos resultados em revista científica internacional.
Como funciona a técnica?
Batizada de Total Corporal Mobilization (TCM), ou Mobilização Total dos Corpos Cavernosos, a técnica foi desenvolvida pelo urologista Ubirajara Barroso, especialista em reconstrução genital, em parceria com a Divisão de Urologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
Inicialmente criada para tratar homens cisgêneros com micropênis ou insuficiência peniana, a técnica passou a ser adaptada também para cirurgias de redesignação genital em homens trans.
De acordo com Barroso, a projeção internacional do método começou após a publicação dos resultados na revista científica International Brazilian Journal of Urology, em 2022. Posteriormente, relatos compartilhados por pacientes na plataforma Reddit ampliaram a divulgação da técnica.
“Nos últimos meses, já atendi pacientes do Canadá, Singapura, Austrália, Itália, Estados Unidos, Israel e Irlanda. Sempre fazemos consultas online para entender a história do paciente e agendar sua vinda ao país”, afirmou Barroso, atual vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) ao jornal.
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Paciente viajou de Singapura para realizar o procedimento
Entre os pacientes está Keane, desenvolvedor de software nascido no Vietnã e residente em Singapura. Segundo ele, encontrou informações sobre a técnica em discussões no Reddit após pesquisar alternativas em diversos países.
Keane afirmou que descartou opções como Japão, Holanda, Estados Unidos, Tailândia e Irã por diferentes motivos, incluindo longas filas de espera, altos custos, barreiras linguísticas e questões de segurança.
Segundo o paciente, a organização do sistema brasileiro também influenciou sua decisão.
“Uma coisa que me impressionou bastante foi o processo jurídico e administrativo no Brasil, principalmente a forma como os documentos podem ser assinados digitalmente pelo médico e verificados em um site do governo. Ver o quão estruturado e transparente isso é me deu muito mais confiança para fazer a viagem.”
Por receio de sofrer preconceito em seu país de origem e enfrentar possíveis impactos profissionais, Keane concedeu entrevista utilizando um avatar e pediu que seu sobrenome não fosse divulgado.
Valores surpreendem
De acordo com o paciente, todo o processo, incluindo cirurgia, passagens, hospedagem e demais despesas, custou cerca de 80 mil dólares de Singapura, o equivalente a aproximadamente R$ 318 mil.
A primeira etapa do procedimento foi realizada em dezembro de 2025, enquanto a segunda estava prevista para junho deste ano.
Keane afirmou que o pós-operatório foi mais tranquilo do que imaginava.
“Eu estava preparado para sentir muita dor e ter bastante dificuldade de locomoção nos primeiros dias, mas, no terceiro dia, eu já estava andando.”
Ele também destacou o acompanhamento recebido pela equipe médica durante todo o tratamento.
“Eu me senti muito bem acompanhado durante todo o processo. Sempre que surgia alguma dúvida, havia alguém disponível para ajudar.”
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