Uma mulher, Rachael Gingery, que quase ficou paraplégica após cair de uma escultura de 6 metros no festival Burning Man no ano passado, decidiu retornar ao evento. Apesar de ter fraturado a coluna e sofrido outros ferimentos graves, ela afirma que aceita os riscos inerentes ao festival e que o incidente não a fez mudar de ideia. O “Burning Man” tem um histórico de acidentes e mortes, e seus participantes precisam assinar um termo de responsabilidade para participar.
Uma mulher que quase ficou paraplégica após sofrer uma grave queda no “Burning Man” na edição de 2024 está de volta ao festival de contracultura, que ocorre anualmente no deserto de Nevada (EUA). A americana Rachael Gingery fraturou a coluna após cair de uma altura de seis metros. Apesar do acidente, ela afirmou que o ocorrido não a fez em nenhum momento mudar de ideia de retornar ao evento.
Grave acidente
Rachael Gingery caiu de uma instalação artística que lembrava um navio e foi levada às pressas para a tenda médica do festival, uma clínica remota, onde foi submetida a exames de raio-x e ultrassom. A moradora de São Francisco (EUA) passou 16 horas na tenda até ser transferida para um hospital, sob o risco de ficar paralisada da cintura para baixo. Além da fratura na coluna, a queda também causou uma costela quebrada e lesões no baço e nos pulmões.
Apesar do susto, ela passou por meses de recuperação e fisioterapia extenuante para recuperar todos os movimentos. Em entrevista ao “SFGATE”, ela afirmou aceitar os riscos do festival. “Eu aprecio que o Burning Man seja um pouco perigoso. É isso que o torna emocionante. Se você optar por se envolver em comportamentos perigosos lá, há consequências reais para essas escolhas, e essas consequências recaem diretamente sobre seus ombros. Não é a Disneylândia”, declarou.
Histórico de mortes
O risco mencionado por Rachael é comprovado por um histórico de acidentes e incidentes fatais no festival. No ano passado, 1.524 pessoas tiveram ferimentos variados. O festival também registrou a morte de Kendra Frazer, em 2024, devido às condições adversas do deserto, e de Aaron Joel Mitchell, em 2017, que pulou na fogueira da cerimônia final. Outras mortes também foram associadas a causas naturais e uso de substâncias ilícitas.
Os participantes do “Burning Man” precisam assinar termos de responsabilidade que cobrem lesões e até mesmo morte, já que o evento acontece em condições extremas de deserto. Eles precisam ser autossuficientes e se expõem a riscos como desidratação, insolação e quedas ao escalar as obras de arte que adornam o local.
O que é o ‘Burning Man’
O “Burning Man” é um festival de contracultura que dura nove dias, realizado desde 1986. Ele se consolidou como uma cidade temporária no deserto de Nevada, focada em arte, autoexpressão e comunidade. O evento reúne dezenas de milhares de participantes, que se comprometem a não deixar rastros, levando e limpando todo o lixo produzido.
Apesar de ser conhecido por atrações como a “Tenda da Orgia”, que promove sexo consensual e seguro, a organização do evento alerta que diversas agências policiais patrulham o local e que atividades ilegais podem resultar em multas, prisão ou remoção. Muitos consideram o festival uma experiência transformadora que vai muito além dos excessos.
