Em uma decisão que está repercutindo no mundo todo, a liderança global das Testemunhas de Jeová anunciou uma atualização histórica em suas diretrizes médicas. Pela primeira vez, os fiéis do grupo religioso estão autorizados a realizar procedimentos que envolvam o armazenamento e a devolução do próprio sangue ao corpo durante cirurgias agendadas. A mudança foi confirmada por Gerrit Losch, um dos principais líderes da organização, em entrevista à CNN.

O que muda na prática para os fiéis
A nova regra permite que o paciente retire o próprio sangue antes de uma operação para que ele seja usado no seu tratamento posterior. Segundo a nova orientação, a escolha agora é uma “responsabilidade individual” de cada cristão.
No Brasil, onde vivem cerca de 900 mil seguidores dos Testemunhas de Jeová, a notícia pegou muitos de surpresa, já que o uso de sangue sempre foi um dos tabus mais rígidos do grupo.
A proibição que ainda continua
Apesar da flexibilização para o sangue do próprio paciente, a proibição de receber transfusões de sangue doado por outras pessoas continua valendo. A liderança reforçou que a crença na “santidade do sangue” não mudou, apenas a aplicação técnica para casos específicos. Ex-membros e especialistas em bioética, no entanto, criticam a medida, afirmando que ela não ajuda em casos de acidentes graves ou emergências onde não há tempo para o armazenamento prévio.