A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a possibilidade de que o disparo que matou Bento Costa Petillo Bezze, de 12 anos, na Pavuna, tenha partido de uma festa de aniversário realizada no Morro da Quitanda. O evento celebrava os 34 anos de um homem apontado pelas autoridades como líder do tráfico na comunidade.

Bento Costa Petillo Beze, de 12 anos, abraça o pai, Luiz (Foto: Reprodução)
Bento Costa Petillo Beze, de 12 anos, abraça o pai, Luiz (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro apura a origem do disparo que matou Bento Costa Petillo Bezze, de 12 anos, na tarde do último domingo, enquanto participava de uma celebração em um condomínio residencial na Pavuna, Zona Norte da capital.

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Bento entre a mãe, Fernanda, e o irmão, Kauã, de 18 anos  (Foto: Reprodução)

As investigações apontam que o tiro pode ter partido do Morro da Quitanda, em Costa Barros, localizado a aproximadamente um quilômetro de distância.

Uma das linhas investigativas considera a possibilidade de que o disparo tenha ocorrido durante uma comemoração realizada na comunidade para marcar o aniversário de um homem apontado pelas autoridades como liderança do tráfico de drogas na região.

Bento participava da confraternização da Primeira Eucaristia de uma amiga quando foi atingido no peito. O adolescente caiu nos braços do irmão mais velho e chegou a ser levado para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.

Moradores da área afirmam que estão acostumados a ouvir tiros esporadicamente devido à proximidade com comunidades da região. No entanto, testemunhas relataram que, no momento da tragédia, não perceberam qualquer barulho de disparos ou sinais de confronto.

O caso segue sob investigação, e a polícia trabalha para esclarecer as circunstâncias que levaram à morte do menino, além de identificar a origem exata do tiro que atingiu a vítima.

Testemunha relata os últimos momentos de Bento

Uma testemunha que acompanhou os momentos finais de Bento Costa Petillo Bezze, de 12 anos, relatou o desespero vivido logo após o menino ser atingido pelo disparo. Amiga da família e conhecida da vítima desde o nascimento, Jacqueline contou que, inicialmente, as crianças presentes não perceberam a gravidade da situação.

Segundo ela, Bento levou a mão ao peito e alertou que havia sido atingido. Como era conhecido pelo jeito brincalhão, muitos acreditaram que se tratava apenas de mais uma de suas brincadeiras.

A situação só mudou quando ele caiu no chão e o irmão percebeu sinais do ferimento, causando choque entre todos que estavam no local.

Enquanto a investigação busca esclarecer a origem do disparo, as autoridades também apuram possíveis ligações do caso com uma comemoração realizada em uma comunidade próxima.

Suspeito citado na apuração tem mandado de prisão

Um dos nomes citados nas apurações é o de Douglas Oliveira dos Santos, conhecido como Geremias ou Pudim, apontado como integrante do tráfico local. Contra ele existe um mandado de prisão em aberto por roubo.

De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, ele teria participado, ao lado de outros suspeitos, do assalto e cárcere privado de um mototaxista em 2023. Na época da acusação, o investigado acumulava diversas passagens pela polícia.

Após ser baleado, Bento recebeu ajuda de moradores do condomínio e foi levado às pressas para uma unidade hospitalar em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Apesar dos esforços para salvá-lo, o menino não resistiu aos ferimentos.

A Polícia Militar informou que equipes do 41º BPM (Irajá) foram acionadas para atender a ocorrência e, ao chegarem ao local, foram informadas de que a vítima já havia sido encaminhada ao hospital por populares.

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Família e amigos lamentam perda de Bento

A morte de Bento provocou profunda comoção entre familiares, amigos e moradores do condomínio onde vivia, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Conhecido pelo jeito carinhoso e pela proximidade com todos ao seu redor, o menino deixa um vazio difícil de ser preenchido.

De acordo com relatos de pessoas próximas, Bento era extremamente afetuoso, dedicado à família e mantinha uma relação muito próxima com a mãe e a avó. Amigos também destacam sua personalidade acolhedora e o cuidado que demonstrava com aqueles que conviviam com ele.

Um dos moradores do condomínio contou que seu filho ficou abalado com a perda e descreveu Bento como alguém que tratava os amigos como integrantes da própria família.

No momento em que foi atingido, a mãe do garoto estava em casa. Ao receber a notícia, correu em direção ao local acompanhada do filho mais velho, mas passou mal diante da gravidade da situação antes mesmo de conseguir chegar ao veículo que transportava Bento para o hospital.

Além de ser querido pelos colegas, o adolescente também se destacava nos estudos. Segundo familiares, era um aluno dedicado e acumulava bons resultados na escola. Apaixonado por futebol, sonhava em se tornar jogador profissional e tinha como referência o craque Neymar.

Nos últimos meses, estava animado com a proximidade da Copa do Mundo de 2026 e desejava completar o tradicional álbum de figurinhas do torneio.

Após os procedimentos periciais, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) e liberado para a família. O velório está previsto para ocorrer nesta terça-feira, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte da capital fluminense. O sepultamento será realizado no início da tarde às 13h, quando parentes e amigos prestarão as últimas homenagens ao menino.

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