Dois alunos foram mortos a tiros e outros três ficaram feridos na manhã desta quinta-feira (25) na Escola Estadual Luiz Felipe, no bairro Campos Velhos, em Sobral, interior do Ceará. A cidade, reconhecida como referência nacional em educação, tornou-se palco de uma disputa entre facções criminosas.

Santa Casa de Misericórdia de Sobral. (Reprodução)
Santa Casa de Misericórdia de Sobral. (Reprodução)

Dois alunos foram mortos a tiros e outros três ficaram feridos na manhã desta quinta-feira (25) na Escola Estadual Luiz Felipe, no bairro Campos Velhos, em Sobral, interior do Ceará. A cidade, reconhecida como referência nacional em educação, tornou-se palco de uma disputa entre facções criminosas.

A Polícia Militar informou que o ataque está relacionado a uma briga entre grupos rivais pelo tráfico de drogas na região da escola. Com as vítimas, foram apreendidos entorpecentes e uma balança de precisão.

Segundo a corporação, um dos feridos é um jovem de 16 anos que já responde por atos infracionais análogos a homicídio, porte ilegal de arma de fogo, roubo, crime contra a administração pública e dano. Os outros dois adolescentes, ambos de 17 anos, não têm relação com o crime, assim como as vítimas fatais, Victor Guilherme Sousa de Aguiar, 16, e Luiz Cláudio Souza Oliveira Filho, 17.

Cidade da educação x cidade do crime

Sobral figura entre as cidades com melhores índices de alfabetização do país e, há anos, seu ensino fundamental supera rankings nacionais e internacionais graças ao programa municipal Alfabetização na Idade Certa, criado em 2004. A iniciativa fez o município sair da posição 1.407 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) para o primeiro lugar em 2024, com média de 9,6.

Em contrapartida, Sobral também aparece no ranking das 20 cidades mais violentas do Brasil, ocupando a 12ª posição, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Avanço das facções

No início de setembro, a Polícia Civil do Ceará apontou que o Comando Vermelho (CV), facção originária do Rio de Janeiro, tem ampliado seu domínio no estado e pode assumir o controle total das atividades criminosas no Ceará. O avanço ocorre sobretudo em áreas que antes eram comandadas pelo Guardiões do Estado (GDE), grupo local conhecido pela extrema violência e por chacinas.

Em 8 de agosto, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará, em parceria com a ONG de proteção à infância Visão Mundial, enviou um ofício à Secretaria de Educação solicitando a transferência de um aluno da Escola Luiz Felipe após ele receber ameaças. Na manhã do ataque, ele estava na unidade, mas não foi atingido. Um dos mortos era vizinho desse estudante na comunidade Nova Caiçara, área dominada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

Apesar da escalada da guerra entre facções, professores da escola relataram à Folha que é comum que alunos sejam impedidos de frequentar aulas quando a unidade está em território dominado por um grupo rival daquele que controla a comunidade onde moram.

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