O doutor em Política e comentarista do SBT, Bruno Garschagen, avalia que a recente ameaça de Donald Trump contra o Brasil tem caráter mais retórico do que militar. Segundo ele, o cenário mais provável é a ampliação de sanções econômicas e tarifas sobre produtos brasileiros, além do aumento de autoridades incluídas na Lei Magnitsky, que prevê bloqueio de bens e restrições de visto. Ações militares são consideradas improváveis e, se ocorrerem, seriam pontuais e limitadas. Garschagen recomenda que o Brasil e os empresários adotem estratégias de mitigação de riscos, diversifiquem mercados e fortaleçam o compliance para enfrentar possíveis impactos.

Foto: reprodução/AFP
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A recente declaração da Casa Branca sobre possíveis “medidas econômicas e até militares” contra países considerados hostis aos interesses dos Estados Unidos reacendeu o debate sobre a relação entre Brasil e EUA. Para Bruno Garschagen, doutor em Política, sócio do TSA Advogados e comentarista do SBT, o Brasil deve se preparar para enfrentar sanções mais duras e tarifas elevadas, mas a hipótese de uma ação militar é considerada remota.

Garschagen explica que, apesar do tom contundente, a ameaça de Donald Trump não foi direcionada exclusivamente ao Brasil.

“Quando a Casa Branca mencionou ‘medidas econômicas e até militares’, o contexto envolvia um conjunto de países e situações, não apenas o Brasil”, afirma.

Segundo ele, o cenário mais provável é a ampliação das sanções econômicas e o aumento da lista de produtos brasileiros sujeitos a tarifas de até 50%, além da expansão da aplicação da Lei Magnitsky, que prevê o congelamento de bens sob jurisdição dos EUA e restrições de visto para autoridades brasileiras. Um exemplo já em vigor, lembra Garschagen, é a inclusão do ministro Alexandre de Moraes nessa lista.

Para o especialista, a estratégia do governo Lula deve considerar que os canais diplomáticos com a gestão Trump estão praticamente bloqueados.

“Trump mantém uma relação de aliança com Bolsonaro e de enfrentamento com Lula e o STF. Como o governo brasileiro e a Corte Suprema já deixaram claro que não vão mudar de posição, a tendência é que a retórica de Trump continue dura e acompanhada de decisões econômicas punitivas”, analisa.

Nesse cenário, Garschagen orienta que empresários brasileiros adotem medidas preventivas: mapear riscos, reforçar programas de compliance, proteger o caixa, diversificar mercados, negociar exceções tarifárias e transmitir confiança a investidores e parceiros comerciais.

O comentarista elenca quatro níveis de possíveis ações norte-americanas, do mais provável ao menos provável:

  1. Sanções econômicas ampliadas — aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, redução de exceções para setores como celulose, aeroespacial e energia.

  2. Sanções direcionadas (Magnitsky) — inclusão de mais autoridades e empresas brasileiras na lista de restrições, com bloqueio de ativos e limitações de visto.

  3. Medidas administrativas e regulatórias — maior rigor em licenças, certificações e compras públicas, além de pressões financeiras via OFAC e FinCEN, órgãos responsáveis por controlar transações internacionais.

        4.Ação militar pontual — considerada improvável, mas não impossível. “Seriam operações limitadas, como interdições marítimas           ou aéreas e demonstrações de força no Atlântico, com justificativa de combate ao crime transnacional. Não há precedentes recentes de             invasão direta”, ressalta.

Para Garschagen, o objetivo central da retórica de Trump é criar um ambiente de pressão psicológica sobre o governo brasileiro. “O ataque real ocorre via sanções e tarifas. A fala dura serve para gerar apreensão e extrair concessões em negociações futuras”, conclui.

Bruno Garschagen – Foto: reprodução/redes sociais

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