Trump elogiou o líder brasileiro, afirmando que “gosta dele”. A fala aconteceu durante uma coletiva em que o presidente dos EUA também criticou a Organização das Nações Unidas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mencionar, nesta terça-feira (20), a possibilidade de o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participar do conselho internacional voltado à construção de um acordo de paz para a Faixa de Gaza.
Em declaração pública, o republicano elogiou Lula, afirmou ter apreço pelo líder brasileiro e destacou que ele poderia exercer uma função relevante dentro do grupo. Segundo Trump, a atuação de Lula teria peso significativo nas discussões diplomáticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
Trump convida Lula para integrar ‘Conselho da Paz’ e proposta gera alerta internacional
“Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no Conselho de Paz de Gaza”, declarou Trump.
Durante a mesma coletiva, Donald Trump também fez críticas diretas à Organização das Nações Unidas (ONU) e sugeriu que o novo conselho internacional em discussão poderia, eventualmente, assumir um papel semelhante ao do órgão global.
Segundo o presidente norte-americano, a ONU não tem correspondido às expectativas ao longo dos anos. Ele afirmou acreditar no potencial da instituição, mas ressaltou que, na prática, ela falhou em cumprir sua missão. “A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca esteve à altura desse potencial”, disse Trump. “A ONU deveria ter resolvido todas as guerras que eu encerrei. Eu nunca recorri a eles, nunca sequer pensei em recorrer”, disse.
Trump confirma convite a Lula para Conselho de Paz
Donald Trump, confirmou que fez um convite formal ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para integrar o recém-criado Conselho de Paz para Gaza. Segundo Trump, o líder brasileiro teria um papel relevante dentro do grupo, além de destacar sua boa relação pessoal com Lula.
Apesar do aceno público, integrantes do governo brasileiro demonstram cautela em relação à proposta. Conforme informações divulgadas pela CNN Brasil, a avaliação interna é de que o conselho, da forma como foi estruturado, concentra poder excessivo nas mãos do presidente norte-americano, o que gera resistência por parte do Planalto.
O conselho será presidido por Trump e contará com nomes próximos ao republicano, como o enviado especial de política externa Steve Witkoff, o vice-conselheiro de segurança nacional Robert Gabriel e Jared Kushner, genro do presidente. Também fazem parte do grupo o empresário bilionário Marc Rowan e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.
Além do Brasil, outros países receberam convite para integrar a iniciativa, entre eles Argentina, Canadá, Paraguai, Turquia e Egito. Segundo apuração de Gustavo Uribe da CNN Brasil, Lula deve tratar do tema em conversa com o presidente da França, Emmanuel Macron. O governo francês, inclusive, já sinalizou que não pretende aceitar a proposta apresentada pelos Estados Unidos.
Lula ainda não decidiu se participará do conselho
O governo brasileiro informou que recebeu oficialmente o convite na última sexta-feira (16), mas ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não definiu se irá aceitar a proposta para integrar o Conselho de Paz de Gaza.
De acordo com pessoas próximas ao Palácio do Planalto, Lula pretende analisar com cautela os impactos geopolíticos, diplomáticos e financeiros da iniciativa antes de tomar qualquer decisão. A avaliação é de que o cenário internacional exige prudência e alinhamento com a política externa brasileira.
O assunto foi tratado em uma reunião realizada na manhã de segunda-feira (19) entre o presidente e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio do Planalto, quando foram discutidos os possíveis desdobramentos da participação do Brasil no grupo proposto pelos Estados Unidos.
Trump anuncia criação do Conselho da Paz
O Conselho da Paz anunciado por Donald Trump na última semana foi concebido para reunir aproximadamente 60 países e terá um mandato inicial de três anos. A proposta prevê a criação de um núcleo de membros permanentes, categoria que exige uma contribuição financeira significativa: o pagamento de US$ 1 bilhão ao fundo do conselho já no primeiro ano de funcionamento.
Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outros chefes de Estado receberam convites para integrar a iniciativa. No entanto, apesar da articulação conduzida pela Casa Branca, o projeto tem sido recebido com reserva por líderes internacionais, que demonstram incertezas sobre a real função, legitimidade e alcance do novo órgão. Alguns, como o presidente francês Emmanuel Macron, já sinalizaram que não pretendem participar, citando dúvidas quanto às atribuições do conselho.
A criação do grupo faz parte da segunda etapa do plano de 20 pontos apresentado por Trump para encerrar o conflito na Faixa de Gaza, com ênfase na desmilitarização da região e na reconstrução do território.
Entre os integrantes confirmados como membros fundadores estão o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, além do enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do presidente norte-americano.
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