Um estudo revelou que os tubarões fantasmas, ou quimeras, utilizam uma estrutura com dentes na testa, chamada tenáculo, para se segurarem nas fêmeas durante o acasalamento. Pesquisadores descobriram que esses “dentes na testa” evoluíram a partir de um processo genético já existente para os dentes da boca, caracterizando uma “gambiarra evolutiva” no reino animal.

Tubarões fantasma usam a testa para fazer sexo, revela estudo (Foto: Lewis Burnett/Shutterstock)
Tubarões fantasma usam a testa para fazer sexo, revela estudo (Foto: Lewis Burnett/Shutterstock)

Uma descoberta de peso movimentou os bastidores da ciência marinha: os tubarões fantasmas, também conhecidos como quimeras (Hydrolagus colliei), apresentam dentes verdadeiros bem no meio da cabeça, usados durante o acasalamento.

Esses peixes das águas profundas, parentes de tubarões e raias, possuem um órgão acessório chamado tenáculo, exclusivo dos machos. A estrutura, localizada na testa e coberta por dentes, serve para garantir o “abraço” na parceira durante o momento crucial da reprodução, numa jogada parecida com a dos tubarões, que mordem a fêmea para se fixar.

(Foto: Gareth Fraser/Universidade da Flórida)

Adaptação dos dentes nas quimeras intriga pesquisadores

Para entender de onde veio essa invenção da natureza, especialistas analisaram fósseis de 315 milhões de anos e exemplares vivos de Hydrolagus colliei. Usando tomografias computadorizadas, ficou claro que o crescimento dos dentes na cabeça segue o mesmo padrão dos dentes tradicionais da boca, inclusive com a mesma expressão genética.

A composição do tenáculo é idêntica à dos dentes convencionais, mostrando que a evolução deu um jeitinho para transformar um programa já existente em uma ferramenta nova e fundamental para a reprodução desses peixes.

Evolução e gambiarra no universo dos tubarões fantasmas

De acordo com os cientistas, o caso das quimeras é um baita exemplo de “gambiarra evolutiva”. As evidências mostram que esses animais aproveitaram uma solução pronta para criar uma estrutura essencial fora das mandíbulas, ampliando as possibilidades da evolução marinha.

O tenáculo das quimeras não é uma anomalia, mas sim uma das primeiras descobertas de dentes fora da boca, reforçando como o fundo do mar ainda guarda muitas surpresas.

Vídeos curtos

Mais lidas