O uso indiscriminado de medicamentos, especialmente sem prescrição ou acompanhamento médico, pode trazer consequências sérias à saúde física e mental.
O uso indiscriminado de medicamentos, especialmente sem prescrição ou acompanhamento médico, pode trazer consequências sérias à saúde física e mental. Especialistas ouvidos pelo BacciNotícias chamam atenção para o risco de dependência, agravamento de sintomas e até complicações graves decorrentes do consumo abusivo de remédios de uso contínuo.
Relação de dependência e aumento das doses
De acordo com o psiquiatra Dr. Eduardo Perin, formado pela Universidade Federal de São Paulo e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, o principal mecanismo do vício em medicamentos está relacionado à tolerância. Com o tempo, o organismo passa a exigir doses cada vez maiores para alcançar o mesmo efeito inicial.
“Drogas que causam dependência fazem com que o indivíduo precise aumentar progressivamente a dose para obter o efeito desejado. Esse fenômeno é chamado de tolerância”, explicou. Segundo o especialista, o excesso de neurotransmissores provoca uma adaptação dos neurônios, que reduzem seus receptores em um processo conhecido como downregulation, contribuindo para o desenvolvimento da dependência.

Uso de indutores do sono preocupa especialistas
Entre os medicamentos que mais geram preocupação estão os utilizados para tratar insônia e distúrbios do sono. O uso sem orientação médica, ou de forma recreativa, pode aumentar significativamente o risco de dependência.
“O uso inadequado de indutores do sono como Zolpidem e Zopiclona pode causar prejuízos importantes. Benzodiazepínicos como Rivotril e Diazepam também são utilizados para induzir o sono e têm potencial de causar dependência. O Zolpidem, inclusive, é uma das drogas com maior risco nesse sentido”, afirmou o psiquiatra.
O especialista também alerta para o perigo da interrupção abrupta do medicamento. Segundo ele, a retirada deve ser feita de forma gradual e sempre com acompanhamento profissional.
“Suspender de uma vez pode ser perigoso. A dependência é uma doença que precisa ser tratada com médico e psicoterapia”, reforçou.

Medicamentos em pílulas – Foto: Freepik
Relato de famoso reacende debate
Recentemente, o influenciador Rico Melquiades, vencedor do reality show A Fazenda, usou as redes sociais para relatar sua luta contra a dependência de medicamentos. No desabafo, ele afirmou que deseja se libertar do vício e alertou seguidores sobre os riscos do uso contínuo.
“Remédios viciam. Eu quero me libertar e estou disposto a dar o primeiro passo”, escreveu o influenciador, destacando o impacto da dependência em sua rotina e saúde emocional.
Danos físicos causados pelo uso abusivo
O médico clínico Dr. Paulo Camiz, geriatra, professor da Universidade de São Paulo e integrante do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, explicou que os riscos variam conforme o tipo de medicamento, a dosagem e o perfil do paciente.
“Existem remédios seguros no longo prazo, mas outros dependem da quantidade ingerida. O Paracetamol, por exemplo, em pequenas doses é seguro, mas em excesso pode causar insuficiência hepática ou hepatite fulminante”, destacou.
Ele também alertou para sinais que indicam possíveis complicações, especialmente no uso frequente de anti-inflamatórios.
“Sensação de queimação abdominal pode indicar agressão ao estômago ou intestino. Em casos mais graves, pode haver sangramento intestinal, que se manifesta pelo escurecimento das fezes”, explicou.
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