A fábrica da Ypê em Amparo, no interior de São Paulo, passou por uma força-tarefa de adequações após a Anvisa identificar irregularidades sanitárias em áreas de produção. Imagens de “antes e depois” divulgadas após visita monitorada mostram mudanças estruturais e limpeza em setores que apresentavam sinais de corrosão e falhas nas boas práticas de fabricação.

Complexo industrial da Ypê, em Amparo, volta a operar após autorização da Anvisa. Foto: Divulgação / Fantástico.
Complexo industrial da Ypê, em Amparo, volta a operar após autorização da Anvisa. Foto: Divulgação / Fantástico.

A fabricante Ypê abriu as portas da unidade de Amparo (SP) para apresentar as mudanças realizadas após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificar irregularidades sanitárias em áreas de produção de detergentes, desinfetantes e lava-roupas líquidos.

A visita monitorada ocorreu poucos dias depois de a agência suspender parte dos produtos da marca fabricados em lotes com final 1. As imagens de “antes e depois” mostram equipamentos reformados, áreas revitalizadas e setores que passaram por limpeza intensiva após os apontamentos feitos pelos fiscais.

Segundo a empresa, uma força-tarefa foi iniciada logo após a suspensão determinada pela Anvisa para acelerar as adequações exigidas no processo produtivo.

Corrosão e falhas sanitárias

O relatório da inspeção sanitária revelou problemas considerados graves pela Anvisa. Entre eles, estavam sinais de corrosão em equipamentos utilizados na fabricação de detergentes e lava-roupas líquidos, além de falhas no estado de conservação de tanques de manipulação.

Os fiscais também encontraram restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase, situação que, segundo a agência, compromete as chamadas Boas Práticas de Fabricação.

A Anvisa destacou ainda que os problemas poderiam representar risco de contaminação microbiológica dos produtos. O órgão explicou que esse tipo de contaminação envolve a presença de bactérias, fungos ou outros microrganismos capazes de causar irritações ou doenças nos consumidores.

Outro ponto que chamou atenção no relatório foi o registro de resultados fora das especificações microbiológicas em 80 lotes produzidos entre dezembro de 2025 e abril de 2026. Entre os casos, foram identificados testes positivos para a bactéria Pseudomonas aeruginosa.

Segundo a inspeção, esses lotes não chegaram a ser reprovados pelo controle de qualidade e permaneciam armazenados aguardando definição financeira.

Resposta da empresa

Durante a visita à fábrica, o diretor executivo de operações da Ypê, Eduardo Beira, neto dos fundadores da companhia, afirmou que os lotes identificados permanecem armazenados e protegidos, sem contato com o mercado consumidor.

De acordo com ele, a empresa mobilizou equipes nos três turnos de trabalho para realizar ações emergenciais de limpeza, pintura e manutenção.

“Estamos trabalhando realmente para resolver tudo aquilo que a Anvisa nos colocou”, afirmou o executivo.

Beira também destacou que grande parte dos processos é automatizada e que muitos dos pontos apontados pela fiscalização não possuem contato direto com os produtos finais.

Produção segue parada

Apesar de ter conseguido um efeito suspensivo automático após recorrer da decisão da Anvisa, a Ypê decidiu manter a produção interrompida temporariamente para concluir as adequações exigidas.

A diretoria colegiada da Anvisa deve analisar o caso nesta quarta-feira (13) para decidir se mantém ou derruba a suspensão da fabricação e comercialização dos lotes afetados.

Segundo especialistas em direito regulatório sanitário, o processo ainda poderá passar por outras etapas internas dentro da agência, incluindo análise de recursos e acompanhamento do recolhimento dos produtos.

Recomendação de não uso

Mesmo com o recurso apresentado pela empresa, a Anvisa informou que a avaliação técnica sobre os riscos sanitários não foi alterada. Por isso, a orientação oficial continua sendo para que consumidores evitem utilizar os produtos listados até nova decisão da agência.

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Entre os itens afetados estão detergentes lava-louças Ypê, desinfetantes Bak Ypê e Atol, além de diversas linhas de lava-roupas líquidos Tixan Ypê.

A investigação também deverá ser acompanhada por órgãos de defesa do consumidor, como Procon e Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

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