O advogado e turismólogo Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, transformou a própria despedida em uma celebração da vida meses antes de morrer. Conhecido nacionalmente como o “Bom Sujeito”, ele organizou um velório em vida após descobrir um câncer de estômago sem possibilidade de cura.

Tiago Pitthan. (Reprodução)
Tiago Pitthan. (Reprodução)

O advogado e turismólogo Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, transformou a própria despedida em uma celebração da vida meses antes de morrer. Conhecido nacionalmente como o “Bom Sujeito”, ele organizou um velório em vida após descobrir um câncer de estômago sem possibilidade de cura.

Tiago Pitthan. (Reprodução)

Tiago morreu, depois de enfrentar a doença, e deixou uma mensagem de despedida publicada do hospital no último domingo (05) pouco antes de sua morte.

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Discurso durante o próprio velório

Durante a celebração, Tiago explicou por que decidiu chamar o evento de “velório” e compartilhou uma reflexão sobre a forma como escolheu enfrentar o câncer.

“E as pessoas me perguntam todos os dias como é estar morrendo. Deixa eu contar uma coisa pra vocês. Eu não sei.”

Ele afirmou que, apesar do diagnóstico terminal, preferia enxergar o tempo restante como vida.

“Eu tenho câncer, terminal, não tenho cura, faço tratamento paliativo, mas eu não sei por que estou morrendo. Porque eu estou vivendo. Eu vou morrer uma vez só. Todos os outros dias, eu estou vivo, amigo.”

Segundo Tiago, dar nome às situações ajuda a enfrentar o medo. “Isso aqui é um velório, porque eu fiz questão de chamar de velório. Porque quando a gente dá nome pras coisas, a gente consegue enfrentar elas. Quando a gente não dá nome, elas assombram a gente.”

Ele reforçou que o encontro tinha como objetivo celebrar a vida. “Isso aqui é um velório que trata de vida, não de morte. A gente tá aqui pra celebrar a minha vida, a vida de todo mundo que compartilhar comigo.”

Em outro momento, afirmou que não queria ser definido pela doença.

“Eu sou muito mais que um diagnóstico. O câncer é tão pequenininho perto de mim.”

Ao falar sobre a própria morte, deixou um pedido que comoveu os presentes.

“Quando eu morrer e perguntarem pra minha família ‘o Tiago morreu do quê?’, eu quero que a resposta seja: o Tiago morreu feliz. Porque o câncer faz parte da minha história.”

Advogado transformou a despedida em uma celebração

Morador de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Tiago ganhou repercussão nacional ao organizar o próprio velório ainda em vida. O evento reuniu familiares, amigos e até desconhecidos em uma celebração marcada por música, apresentações artísticas e homenagens.

A programação contou com bossa-nova, samba, rock, DJs e bandas formadas por amigos. O próprio Tiago também subiu ao palco para tocar guitarra, instrumento que começou a aprender depois de receber o diagnóstico. A despedida ainda teve um flash mob e um artista produzindo, ao vivo, uma aquarela do encontro.

Diagnóstico mudou completamente sua rotina

Os primeiros sintomas surgiram durante a virada de 2023 para 2024, quando Tiago viajava com amigos para Bonito, no Mato Grosso do Sul.

Após diversos exames, uma endoscopia confirmou um adenocarcinoma gástrico. A expectativa inicial era realizar uma cirurgia para retirada do estômago, mas os médicos descobriram metástases durante o procedimento, tornando impossível uma intervenção com intenção curativa.

“Eu descobri que não tinha cura. Que teria de viver com aquilo; provavelmente, morrer daquilo”, afirmou em entrevista.

Ideia surgiu após a morte do pai

A decisão de promover o próprio velório nasceu após o falecimento do pai, em agosto de 2024.

Embora não fosse adepto do ritual tradicional, Tiago contou que percebeu algo que o marcou profundamente.

“Naquele momento, decidi: não vou faltar no meu.”

A partir dessa reflexão, passou a planejar um encontro em que pudesse celebrar a vida ao lado das pessoas que fizeram parte de sua trajetória.

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Despedida publicada do hospital comoveu seguidores

Nos últimos dias de vida, já internado, Tiago publicou uma mensagem de despedida diretamente do hospital, agradecendo o carinho recebido durante o tratamento e deixando palavras de gratidão aos familiares, amigos e às pessoas que acompanharam sua história.

A publicação ganhou grande repercussão nas redes sociais e foi seguida por centenas de homenagens após a confirmação de sua morte no domingo (05).

Mesmo com a doença, realizou sonhos

Durante o tratamento paliativo, Tiago continuou realizando projetos que desejava viver. Aprendeu a tocar guitarra, fez rapel no Abismo Anhumas, em Bonito, saltou de paraquedas e buscou aproveitar cada momento.

Uma de suas frases mais conhecidas resume a maneira como encarava a doença.

“Lá em cima não tem câncer. Só tem eu e aquele mundão.”

Ao longo do tratamento, Tiago também repetia que não tinha medo da morte, mas do sofrimento provocado pelo processo de morrer. Sua história passou a inspirar milhares de pessoas ao mostrar uma forma diferente de lidar com a finitude da vida.

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