Pesquisadores da Unicamp confirmaram, em 2026, a existência de vidro de origem extraterrestre no Brasil. O material, chamado de tectito, foi formado após o impacto de um objeto espacial há cerca de seis milhões de anos e se espalhou por uma área de mais de 900 km² entre Minas Gerais e o Piauí. A descoberta é inédita na América do Sul e foi publicada na revista científica Geology.
Um objeto vindo do espaço atingiu a Terra há cerca de seis milhões de anos e deixou vestígios no território brasileiro. Somente agora, em 2026, pesquisadores conseguiram confirmar cientificamente o evento, que deu origem a fragmentos de vidro conhecidos como tectitos, considerados de origem extraterrestre.
A descoberta foi feita por pesquisadores da área de geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e publicada na revista científica Geology. Os estudos confirmaram que o material não tem origem vulcânica, mas foi formado a partir do impacto de um objeto espacial com o solo terrestre.
Segundo o geólogo Álvaro Penteado Crósta, líder da pesquisa, os tectitos apresentam características químicas e físico-químicas próprias.
“Foi a nossa primeira análise, justamente de tentar separar isso de outro tipo de vidro. Os tectitos têm características químicas e físico-químicas bem próprias. Eles se parecem com vidro vulcânico, mas quimicamente são diferentes”, explicou em entrevista à CNN Brasil.
Extensão do impacto no Brasil
Os vestígios do impacto foram encontrados em uma área superior a 900 km², que se estende do norte de Minas Gerais até o estado do Piauí. Apesar da grande extensão, nenhuma cratera foi oficialmente identificada até o momento, e novos estudos ainda precisam ser realizados.
De acordo com os pesquisadores, ainda não é possível afirmar se o objeto que atingiu a Terra era um meteorito de menor porte ou algo maior, como um asteroide. No entanto, a dimensão da área afetada indica que o impacto foi de grande intensidade.
“Na Terra, esse tipo de choque vai produzir terremotos que vão além da escala Richter, além de uma chuva de material fragmentado, uma onda de choque e uma onda sonora”, analisa Crósta.
Na época do impacto, os continentes já apresentavam uma configuração próxima da atual. O continente africano já havia se separado do território brasileiro, e o oceano Atlântico estava praticamente consolidado.
Como a ciência confirmou a idade do vidro
A confirmação da idade dos tectitos foi possível por meio de análises geoquímicas. Segundo o professor responsável pela pesquisa, a técnica utiliza isótopos, que funcionam como um “relógio natural”.
“Essa idade é um dos resultados que a gente tira da análise geoquímica. A partir da fusão da rocha, esse relógio isotópico zera e começa a contar, o que permite saber exatamente quando o material foi derretido”, explicou o geólogo.
Até hoje, apenas cinco regiões do planeta tiveram esse tipo de material comprovado pela ciência, em locais que vão da Oceania à Europa. A descoberta no Brasil marca o primeiro registro confirmado na América do Sul.