O ex-delegado-geral de São Paulo e secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, foi assassinado no início da noite desta segunda-feira (15), no litoral paulista. Ele foi perseguido e executado a tiros de fuzil em uma ação registrada por câmeras de monitoramento. Fontes, de 62 anos, foi um dos nomes centrais no combate ao crime organizado e pioneiro nas investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Foto: reprodução/g1
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O ex-delegado-geral de São Paulo e secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, foi assassinado no início da noite desta segunda-feira (15), no litoral paulista. Ele foi perseguido e executado a tiros de fuzil em uma ação registrada por câmeras de monitoramento. Fontes, de 62 anos, foi um dos nomes centrais no combate ao crime organizado e pioneiro nas investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O Portal BacciNotícias teve acesso às imagens e detalhou o passo a passo do atentado:

  • O episódio ocorreu no início da noite de segunda-feira (15), na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, no bairro Nova Mirim, em Praia Grande.

  • As imagens a que o portal teve acesso registram toda a dinâmica entre o momento da perseguição, o acidente e a execução.

  1. Início da perseguição

    • Nas imagens, o veículo ocupado por Ruy Ferraz Fontes é seguido de perto por outro automóvel. A perseguição se desenrola pela avenida, em via urbana com tráfego.

    • Testemunhos e laudos iniciais indicam que disparos foram efetuados durante a perseguição, e que Fontes já teria sido ferido antes do choque que sucedeu a perseguição.

  2. Disparos e possível acerto durante a corrida

    • Fontes teria sido atingido por tiros enquanto ainda estava em movimento, segundo informações preliminares da Polícia Militar — ferimentos que podem ter comprometido sua capacidade de controlar o carro.

    • As imagens mostram alterações bruscas na condução do veículo da vítima logo após os instantes em que os criminosos se aproximam.

  3. Colisão com ônibus e capotamento

    • O automóvel de Fontes colide contra um ônibus e capota na pista. A ocorrência envolveu dois ônibus — o carro da vítima bateu em pelo menos um deles; o carro dos criminosos freou a tempo e não chegou a colidir com o segundo ônibus.

    • O capotamento deixa o veículo da vítima em posição vulnerável e com portas possivelmente travadas/avariadas.

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  4. Parada do carro dos criminosos e desembarque

    • O veículo que perseguia consegue parar a curta distância do local do acidente. Três homens armados descem do carro; um quarto permanece ao volante para conduzir a fuga.

    • Um dos agressores se posiciona próximo ao automóvel usado na perseguição, assumindo a função de cobertura — observando arredores e evitando interferências.

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  5. Aproximação ao carro capotado e execução

    • Dois dos homens abandonam a posição de apoio e vão até o veículo capotado onde Fontes estava.

    • Com armas de grande calibre (foram relatados fuzis), os executores desferem múltiplos disparos contra o ex-delegado. O delegado-geral de São Paulo afirmou que foram mais de 20 tiros no atentado.

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  6. Vítimas colaterais e socorro

    • Durante os disparos, um homem e uma mulher que passavam pelo local foram atingidos por estilhaços/projéteis. A Prefeitura de Praia Grande informou que ambos foram atendidos pelo Samu, levados à UPA Quietude e depois transferidos ao Hospital Municipal Irmã Dulce; a administração afirmou que não correm risco de morte.

    • Equipes de emergência também constataram o óbito de Fontes no local ou já dentro do atendimento inicial (conforme perícia/PM).

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  7. Retorno do motorista e fuga do quarteto

    • Enquanto os três criminosos ainda estavam fora do veículo, as imagens mostram o motorista fazendo um retorno nas proximidades — portas abertas — talvez para ganhar vantagem na fuga. Em seguida o trio retorna ao carro, as portas se fecham e o automóvel parte em alta velocidade, iniciando a fuga.

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  8. Queima do veículo suspeito

    • Horas depois, a polícia localizou o carro suspeito de ter sido usado na perseguição e o encontrou incendiado a aproximadamente dois quilômetros do local do crime — ação típica para tentar destruir vestígios e dificultar investigações.

  9. Coleta de provas e medidas iniciais de investigação

    • As imagens de câmeras de segurança foram preservadas e entregues às autoridades; peritos devem analisar trajetória dos projéteis, sequência dos tiros, ângulos de abordagem e identificação dos autores.

    • A Polícia Civil e a perícia técnica já iniciaram diligências: análise forense do local, busca por testemunhas, vasculha por câmeras em rotas de fuga e exame do veículo queimado para restos de material balístico e DNA.

Quem era Ruy Ferraz Fontes

Formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, onde também concluiu pós-graduação em Direito Civil, Ruy Ferraz Fontes construiu carreira em delegacias estratégicas de São Paulo. Atuou no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Denarc e no Deic.

Foi no início dos anos 2000, como chefe da 5ª Delegacia de Roubo a Bancos do Deic, que Fontes começou a investigar o PCC. Sua atuação resultou na prisão de lideranças e no mapeamento da estrutura da facção. Ele também foi peça-chave durante os ataques de maio de 2006, quando o PCC promoveu ações violentas em São Paulo.

Entre 2019 e 2022, comandou a Delegacia Geral de Polícia do Estado de São Paulo. Nesse período, liderou a transferência de chefes do PCC para presídios federais, medida considerada estratégica para enfraquecer o domínio da facção nas cadeias paulistas.

Professor de Criminologia e Direito Processual Penal, participou de cursos no Brasil, na França e no Canadá. Em 2023, assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande, cargo que ocupava até ser assassinado.

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