A proposta do governo de Donald Trump de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros acendeu o alerta em diferentes setores da economia nacional. Máquinas, calçados, plásticos e produtos de madeira aparecem entre os segmentos mais expostos às medidas, que podem impactar diretamente as exportações para os Estados Unidos.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Redes Sociais.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Redes Sociais.

A proposta do governo de Donald Trump de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros acendeu o alerta em diferentes setores da economia nacional. Máquinas, calçados, plásticos e produtos de madeira aparecem entre os segmentos mais expostos às medidas, que podem impactar diretamente as exportações para os Estados Unidos.

Lula e Trump na Casa Branca - Foto: Reprodução/PR

Setores industriais brasileiros acompanham possível impacto das novas tarifas dos EUA. Foto: Reprodução. Foto: Reprodução/PR

Indústria concentra principais impactos

Segundo análises divulgadas após o anúncio, setores ligados à indústria de transformação devem concentrar os maiores impactos econômicos caso as tarifas avancem.

Produtos mais afetados:

  • Máquinas e equipamentos industriais
  • Calçados
  • Plásticos
  • Produtos de madeira e móveis
  • Itens metálicos
  • Produtos químicos
  • Autopeças
  • Papel e derivados

Especialistas apontam risco de perda de competitividade no mercado norte-americano, principalmente em segmentos que dependem das exportações.

Investigação envolve trabalho forçado e comércio internacional

As tarifas foram propostas após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que analisou práticas comerciais de cerca de 60 países. O relatório aponta que o Brasil importou produtos associados a trabalho forçado entre 2021 e 2025, incluindo alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.

Segundo o documento, a falta de restrições mais rígidas à entrada desses produtos no país poderia gerar concorrência desleal com mercadorias americanas.

A proposta prevê duas faixas de sobretaxa. Países com regras mais rígidas contra produtos feitos com trabalho forçado podem receber tarifa adicional de 10%. Já o Brasil está entre os países que podem ser enquadrados na sobretaxa de 12,5%, ao lado de outras 53 nações. Essa nova cobrança se soma à proposta anterior de tarifas de até 25% sobre parte das exportações brasileiras.

Quem ficou fora da lista

Apesar do impacto em setores industriais, alguns produtos importantes da pauta de exportação brasileira não aparecem na lista analisada nesta fase.

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O café, por exemplo, não foi citado no relatório, mesmo sendo um dos principais itens exportados pelo Brasil. Outros produtos agrícolas também não aparecem entre os alvos diretos das medidas.

Ainda assim, especialistas apontam que esses segmentos podem ser afetados indiretamente, dependendo do avanço das tarifas e das negociações comerciais.

Medida ainda não entrou em vigor

Apesar do anúncio, as tarifas ainda não passam a valer imediatamente. O governo dos Estados Unidos abriu uma fase de consulta pública, com prazo para envio de contribuições até 6 de julho. Audiências estão previstas a partir de 7 de julho, e só depois disso haverá definição sobre a aplicação final das medidas.

Enquanto isso, representantes da indústria e o governo brasileiro acompanham as negociações e avaliam possíveis impactos e respostas.

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