Mensagens interceptadas pela Polícia Civil indicam que motorista de aplicativo morto com a esposa e o filho no Rio negociava informações com traficantes se passando por policial militar. Investigação aponta que ele foi atraído para uma emboscada que terminou na morte da família.

Filipe Rodrigues, Rayssa Santos e o bebê Miguel Filipe morreram após o carro da família ser alvo de disparos. Foto: Reprodução.
Filipe Rodrigues, Rayssa Santos e o bebê Miguel Filipe morreram após o carro da família ser alvo de disparos. Foto: Reprodução.

Mensagens interceptadas pela Delegacia de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo revelaram detalhes sobre a execução de uma família dentro de um carro na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ocorrida na noite de 17 de março.

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Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por um acerto de contas envolvendo traficantes e o motorista de aplicativo Filipe Rodrigues, de 24 anos.

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Vítima se passou por policial

De acordo com a Polícia Civil, Filipe se apresentava falsamente como policial militar e negociava informações com integrantes do tráfico sobre um suposto informante das forças de segurança. Nas conversas obtidas pelos investigadores, ele utilizava o apelido de “Demolidor” e prometia fornecer provas da atuação do homem apontado como “X-9”.

O interlocutor identificado pela polícia é Lucas Lopes da Silva, conhecido como Naíba, apontado como chefe do tráfico em uma comunidade de Niterói. Ele foi alvo de uma operação policial realizada nesta semana, mas continua foragido.

Motorista de aplicativo tentou enganar faccionados

As mensagens mostram que Filipe ofereceu informações sobre o suposto informante em troca de dinheiro. Durante a negociação, Naíba teria oferecido R$ 50 mil pelas informações. Inicialmente, o motorista tentou aumentar o valor, alegando que precisaria dividir a quantia com outros seis policiais.

Posteriormente, aceitou a proposta e chegou a sugerir uma emboscada contra o homem que estaria colaborando com a polícia.

Segundo a investigação, o traficante chegou a desconfiar da identidade de Filipe. Em resposta, o motorista insistiu que era policial militar e afirmou atuar no gerenciamento de pagamentos de propina dentro de um batalhão, além de alegar envolvimento com a contravenção.

Um dia antes da morte da família, Filipe voltou a cobrar o pagamento combinado e questionou Naíba sobre o destino do suposto informante. O traficante respondeu apenas que a situação havia sido “trabalhosa”.

Emboscada

No dia do crime, as conversas interceptadas indicam que Filipe continuou pressionando pelo recebimento do dinheiro e compartilhou sua localização em tempo real. Ele também trocou mensagens com Wesley Pires da Silva Sodré, apontado pela polícia como outro participante do caso e preso durante uma operação realizada na terça-feira (03).

Segundo o delegado Willians Batista, Wesley sabia que Filipe não era policial e teria orientado o motorista a comparecer ao local onde o dinheiro seria entregue. A região indicada ficava próxima à comunidade do Castro, área dominada por Naíba.

Família foi executada

A polícia acredita que Filipe foi atraído para uma emboscada. Durante o ataque, ele foi atingido por nove disparos. A esposa dele, Rayssa Santos, de 23 anos, foi baleada três vezes, enquanto o filho do casal, Miguel Filipe dos Santos, de apenas sete meses, sofreu dois disparos. Os três morreram.

As investigações continuam para localizar Naíba e esclarecer todos os detalhes do caso. A Polícia Civil também apura o desaparecimento do homem que teria sido identificado como o suposto informante entregue aos traficantes por Filipe. O nome dele não foi divulgado oficialmente, mas, segundo os investigadores, consta como desaparecido.

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