O setor automotivo fechou 2025 com 5,12 milhões de veículos emplacados, alta de 8%, puxada pelo recorde das motocicletas. Para 2026, a Fenabrave projeta crescimento mais moderado de 6,1%, com novo avanço das motos e recuperação gradual de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas.
O setor automotivo brasileiro encerrou 2025 com desempenho acima do esperado. Com quatro dias úteis a mais do que em 2024, foram emplacadas 5.124.544 unidades ao longo do ano, alta de 8,02% em relação ao período anterior, segundo dados divulgados pela Fenabrave, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. O resultado superou a projeção inicial da entidade, que estimava crescimento de 7,2%.
O principal motor dessa expansão foram as motocicletas, que bateram recorde histórico de vendas. O segmento registrou aumento superior a 17% e atingiu 2.197.308 unidades comercializadas no mercado interno, consolidando-se como o destaque do ano.
O mês de dezembro reforçou a tendência positiva. Foram 492.468 unidades emplacadas, crescimento de 12,28% sobre novembro e de 14,97% em relação a dezembro de 2024. O desempenho foi impulsionado, entre outros fatores, pelo maior número de dias úteis no mês, que somou 22, quatro a mais que em novembro.
“O desempenho do setor em geral se mostrou positivo, mesmo diante de um cenário de crédito mais restritivo, com taxas de juros altas. À exceção de caminhões e implementos rodoviários, todos os segmentos tiveram resultado positivo em 2025”, avaliou Arcelio Junior, presidente da Fenabrave.
Para 2026, a entidade projeta crescimento mais moderado. A expectativa é de 5,25 milhões de unidades emplacadas, o que representa alta de 6,1% sobre 2025. Novamente, o maior avanço deve vir das motocicletas, com previsão de expansão de 10%, alcançando 2.416.980 unidades.
Segundo a Fenabrave, o segmento continuará impulsionado pelos serviços de entrega e pela busca por transporte individual. Além disso, a obrigatoriedade de emplacamento de motonetas de até 50 cilindradas, inclusive usadas, deve provocar um salto acentuado nos primeiros meses do ano.
Para automóveis e comerciais leves, a projeção é de crescimento de 3%, totalizando 2.625.912 unidades. Arcelio Junior avalia que a redução dos juros e a efetiva implementação do Marco das Garantias podem ampliar a oferta de crédito. Ele também defendeu a ampliação do Programa Carro Sustentável, que reduziu o IPI de modelos de entrada e teve impacto positivo nas vendas.
No segmento de caminhões, após forte queda em 2025, a expectativa é de recuperação em 2026, com 114.752 unidades emplacadas, alta de 3,5%. A Fenabrave aposta no programa Move Brasil, que deve aportar até R$ 10 bilhões em financiamento subsidiado, além da possível queda da Selic e da boa safra agrícola.
Para implementos rodoviários, a previsão é de pequena retomada, com crescimento de 2% e 72.450 unidades. Já os ônibus devem registrar alta de 3%, totalizando 29.709 emplacamentos, diante da expectativa de renovação da frota urbana.
No segmento de máquinas agrícolas, mesmo sem o fechamento definitivo de 2025, a projeção é de crescimento de 3,4% em 2026. O avanço deve ser impulsionado por novas tecnologias e eventual queda dos juros, embora custos elevados, crédito restrito e instabilidade externa ainda representem desafios para os produtores rurais.
Leia mais no BacciNotícias:
