Um motociclista morreu carbonizado após ser atingido por um carro de luxo que pegou fogo durante um suposto racha, na noite de domingo (5), em Caçapava, no interior de São Paulo. O acidente, registrado por câmeras de segurança, envolveu dois irmãos, de 26 e 29 anos, que foram presos em flagrante.
Um motociclista morreu carbonizado após ser atingido por um carro de luxo que pegou fogo durante um suposto racha, na noite de domingo (5), em Caçapava, no interior de São Paulo. O acidente, registrado por câmeras de segurança, envolveu dois irmãos, de 26 e 29 anos, que foram presos em flagrante.
O vídeo, que faz parte da investigação da Polícia Civil, mostra o momento em que o Caoa Chery Tiggo 7, avaliado em cerca de R$ 140 mil, perde o controle e colide contra o motociclista, provocando uma explosão. O clarão das chamas ilumina a via, enquanto o carro atravessa um alambrado e para em um terreno ao lado, completamente em chamas.
A vítima foi identificada como Jean Carlo Barbosa Máximo, de 31 anos. Segundo familiares, ele havia acabado de deixar a esposa no trabalho e voltava para casa quando foi atingido. O impacto foi tão forte que Jean foi arremessado a cerca de 200 metros e morreu carbonizado, junto com a motocicleta que ficou totalmente destruída.
De acordo com o boletim de ocorrência, o veículo era conduzido por Jorge Expedito Petrovitch Luiz, de 26 anos, que não possui Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ele estava supostamente disputando uma corrida ilegal com o irmão, Bruno Petrovitch Luiz, de 29, que dirigia um Volkswagen Jetta avaliado em mais de R$ 200 mil.
Cenas de desespero e fuga
As imagens obtidas pela polícia mostram que, segundos após a colisão, o Jetta para próximo ao local do acidente. Dois homens descem do carro e observam o incêndio com as mãos na cabeça. Em seguida, Jorge, o motorista do Tiggo, aparece saindo do veículo em chamas, tentando subir um barranco para alcançar o carro do irmão. Com dificuldade para se mover, ele chega a cair e engatinhar até conseguir sair do terreno.
Veja:
Pouco depois, o Jetta segue viagem, levando o irmão ferido e deixando o local sem prestar socorro. Testemunhas que presenciaram a cena afirmaram que os veículos trafegavam “em altíssima velocidade” e chegaram a andar pela contramão momentos antes da colisão.
Um motorista de aplicativo, que também trafegava pela via, afirmou à polícia que viu os carros disputando o que parecia ser uma corrida e parou para tentar ajudar após a explosão.
Prisão e embriaguez
Após o acidente, a Polícia Militar divulgou o alerta sobre os veículos envolvidos. Com o auxílio do sistema de monitoramento do Centro de Segurança e Inteligência (CSI) de São José dos Campos, o Jetta foi localizado na avenida Mário Covas, já em deslocamento para Mogi das Cruzes.
A Guarda Civil Municipal abordou o carro e constatou que os dois ocupantes apresentavam sinais evidentes de embriaguez, como fala arrastada, olhos avermelhados e forte odor de álcool. Ambos se recusaram a realizar o teste do bafômetro.
“Os guardas notaram que Bruno apresentava sinais de embriaguez, tais como fala arrastada e odor etílico. Logo em seguida, Jorge Expedito também desembarcou, apresentando sinais ainda mais evidentes de embriaguez, como fala desconexa, instabilidade motora e forte odor etílico”, diz o boletim de ocorrência.
Ao serem questionados, os irmãos alegaram que não disputavam racha e que o acidente ocorreu porque a moto “atravessou o caminho toda apagada”. O advogado de defesa sustentou que a dupla fugiu “por medo da reação das pessoas” que se aglomeraram após a batida.
Vídeo confirma corrida ilegal, diz polícia
Durante o registro da ocorrência, os investigadores tiveram acesso às filmagens de câmeras de segurança que flagraram o momento da colisão. Segundo a Polícia Civil, as imagens confirmam que os veículos trafegavam em altíssima velocidade e reforçam a suspeita de que os irmãos participavam de uma disputa automobilística.
“As imagens confirmam a velocidade extremamente alta do veículo Tiggo 7, compatível com os danos e a distância percorrida após a colisão (…), corroborando o relato das testemunhas quanto à disputa automobilística”, diz trecho do boletim.
Outro documento da investigação aponta que, mesmo sem ter provocado diretamente a colisão, Bruno Petrovitch é considerado coautor do crime, por ter participado ativamente da corrida.
“Embora o indiciado Bruno não tenha colidido diretamente com a motocicleta, sua conduta aderiu integralmente à do coautor Jorge, uma vez que ambos participavam ativamente da corrida e assumiram o risco de produzir o resultado mais danoso”, conclui o delegado.
Prisão preventiva e investigação
A Justiça converteu a prisão em flagrante dos irmãos em prisão preventiva, e eles devem permanecer detidos enquanto o caso segue sob investigação da Delegacia de Caçapava.
O corpo de Jean Carlo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de São José dos Campos, onde passará por exames necroscópicos antes de ser liberado para a família.
A Polícia Civil apura o caso como homicídio qualificado, embriaguez ao volante, participação em corrida ilegal e direção sem habilitação.
Veja também: